Estudo mostra que, na pandemia, bilionários dos EUA ficaram US$ 280 bi mais ricos

Leia também

No intervalo de menos de um mês, entre 18 de março e 10 de abril, quando 22 milhões de pessoas perderam seus empregos nos Estados Unidos, os maiores bilionários do país viram sua fortuna crescer cerca de 10%. Com isso, eles ficaram US$ 282 bilhões mais ricos, atingindo um patrimônio líquido total de US$ 3,22 trilhões. Os dados aparecem em um levantamento feito pelo centro de pesquisas Institute for Policy Studies e divulgado nesta quinta-feira (23/4).

Segundo o relatório, 34 dos 170 maiores bilionários dos EUA viram sua riqueza aumentar entre 1º de janeiro e 10 de abril deste ano. Desses, oito ampliaram seu patrimônio em pelo menos US$ 1 bilhão – e nenhum multiplicou mais sua fortuna do que Jeff Bezos, da Amazon. Desde 1º de janeiro, ele ficou US$ 25 bilhões mais rico, de acordo com o levantamento. “Isso é mais que o produto interno bruto de Honduras, que foi de US$ 23,9 bilhões em 2018”, registra o instituto.

Para produzir o material, o Institute for Policy Studies utilizou as bases de dados de publicações como Forbes e Bloomberg, que monitoram o patrimônio dos bilionários. Entre os endinheirados que também viram seu patrimônio crescer na pandemia estão nomes ligados a ferramentas de videoconferência, que viraram artigo de primeira necessidade nas empresas que precisaram adotar regimes de trabalho remoto. Eric Yuan, fundador e CEO da Zoom, por exemplo, agregou US$ 2,58 bilhões à sua fortuna, e Steve Ballmer, ex-CEO da Microsoft – dona das ferramentas Skype e Teams -, US$ 2,2 bilhões.

O que o Institute for Policy Studies enfatiza no comparativo é menos o crescimento da riqueza dos bilionários e mais o fato de que, mesmo multiplicando seu patrimônio, eles estão pagando menos impostos com o passar do tempo. Entre 1990 e 2020, a riqueza dos bilionários americanos cresceu 1.130% em valores atualizados. Esse aumento foi mais de 200 vezes maior que o crescimento de 5,37% da riqueza média dos EUA no mesmo período. Em contrapartida, entre 1980 e 2018, o percentual de suas riquezas destinado às obrigações tributárias diminuiu 79%.

“Estamos lendo sobre bilionários benevolentes que compartilham 0,0001% de sua riqueza com os outros seres humanos nesta crise, mas na verdade eles vêm manipulando as regras tributárias para reduzir seus impostos há décadas. Esse dinheiro poderia ser gasto para construir uma melhor infraestrutura de saúde pública”, diz Chuck Collins, diretor do instituto e um dos autores do relatório.

Clique aqui e leia no Vida de Empresa histórias sobre como as companhias estão enfrentando o coronavírus.

- Publicidade -

Outras notícias

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

- Publicidade -

Mais recentes

#NãoVolte: CEOs defendem que mundo não volte a ser como antes da pandemia

Um grupo de quase 50 líderes empresariais brasileiros, entre os quais estão mais de 30 CEOs, aderiu a uma campanha internacional que defende que...

O que coloca São Paulo entre os 100 maiores polos científicos do mundo

São Paulo está entre os 100 principais polos de produção científica do mundo, segundo um novo ranking, publicado neste início de setembro. A lista é um...

Filantropia aumenta a desigualdade em vez de reduzi-la, diz novo livro

A filantropia nunca foi tão intensa no mundo quanto nos dias de hoje, mas, em vez de ajudar a reduzir a distância de renda...

Carlos Brito, da AB InBev: os três pilares da liderança corporativa

Após mais de uma década, Carlos Brito pode estar perto de encerrar sua trajetória como principal executivo da Anheuser-Busch InBev. O Financial Times informou nesta...

As diferenças entre o boom de IPOs de 2020 e o de 2007

Se o ritmo atual se mantiver, o mercado de capitais brasileiro deve registrar um volume recorde de lançamentos de novas ações na B3. Nesta...