Para editor da MIT Technology Review, inovação do Vale do Silício em saúde é falha

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O Vale do Silício, no estado americano da Califórnia é amplamente considerado o centro da inovação global na atualidade. Assim, é de se surpreender que as empresas dessa espécie de capital mundial da tecnologia não estejam fazendo mais para colaborar com os esforços de combate à pandemia, segundo análise de David Rotman, colunista e editor colaborador do site MIT Technology Review, ligado ao renomado Instituto de Tecnologia de Massachusetts.

Em artigo sobre o tema, Rotman afirmou que a crise revelou os pontos fracos e limitações do Vale. “Nossa inabilidade em fazer medicamentos e outras coisas de que precisamos desesperadamente, como equipamentos de proteção pessoal e outros suprimentos de saúde, é um exemplo mortal,” escreveu.

Rotman não nega que a tecnologia produzida nos Estados Unidos tem ajudado em alguns pontos. A plataforma de videoconferências Zoom permitiu que pessoas continuassem conectadas durante o regime de trabalho remoto, a Netflix ofereceu entretenimento e aparelhos como o iPad têm sido úteis para o ensino à distância. No entanto, quando o assunto é saúde, diz ele, as novidades escassas.

“As grandes empresas da tecnologia não constroem nada,” afirmou. “Não vão nos dar vacinas ou testes. Parece que não sabem nem fazer um cotonete. Aqueles esperando que os Estados Unidos possam transformar sua indústria tecnológica dominante em um motor de inovação contra a pandemia vão ficar decepcionados.”

Para o editor, o Vale do Silício se especializou em tornar nossas vidas um pouco mais convenientes, mas não consegue desenvolver novas ideias em áreas básicas para a sobrevivência humana, como saúde e alimentação. Rotman também sugere que o êxodo das manufaturas para fora dos EUA afeta o país, que tem sérios problemas para fabricar produtos por conta própria. Essa falta de indústria, ele argumenta, cria uma crise de inovação.

Existem, no entanto, usos inovadores de tecnologia na luta contra a covid-19. Inteligência artificial, por exemplo, se tornou uma ferramenta importante para o diagnóstico da doença, inclusive no Brasil. Mas Rotman não é completamente pessimista. Ele acredita que agora é a hora de o Vale do Silício aprender com seus erros. “A pandemia pode ser o despertador de que o país precisa para resolver esses problemas,” escreveu.

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