As mudanças dos bancos na América Latina vieram para ficar – com ou sem pandemia

Leia também

Antes da pandemia, o sistema bancário já passava por profundas transformações em todo o mundo – e em particular na América Latina, uma região em que muita gente segue fora do sistema financeiro formal. Em um relatório encomendado pela Mastercard, a consultoria Americas Market Intelligence apresenta algumas tendências que, com ou sem coronavírus, devem se perpetuar no segmento bancário.

O mercado latino-americano tem particularidades que o tornam propício para as transformações digitais, segundo a empresa, especializada em inteligência de mercado para a região. Apesar da ainda baixa penetração das contas bancárias (55%), o uso dos canais digitais já é altíssimo (acima dos 70%) na região. No Brasil, metade de todas as operações bancárias são feitas pelos serviços online.

Mas a transformação digital, que já era forte antes da covid-19, não é a única mudança identificada pelo relatório. A Americas Market Intelligence cita que a relação entre bancos e clientes deve se expandir para além das operações bancárias. Isso passa necessariamente pela comunicação mais fluida entre eles, o que exigirá que os bancos se alinhem aos valores – e exigências do consumidor.

Conheça a seguir as tendências apontadas pela consultoria:

Mais do que “só” banco

O banco não pode se limitar a simplesmente prestar serviços de conta corrente e cartão de crédito. Com as fintechs e outras empresas de tecnologia entrando no mercado, a diversificação do modelo de negócios tornou-se obrigação. É preciso encontrar novas maneiras de reter o cliente, como a possibilidade de ele fazer compras de supermercado ao recarregar créditos do celular pelo aplicativo do banco.

Inteligência artificial

Cinco anos atrás, a ideia da inteligência artificial no sistema bancário era apenas embrionária. Hoje, é realidade do cotidiano: a tecnologia disseminou-se em ferramentas que vão do combate a fraudes à comunicação com o cliente por meio de robôs de conversação. O avanço dessa tecnologia tende a ser exponencial no setor.

Um canal para tudo

Entrar na loja online de aplicativos do celular para baixar o app de seu banco às vezes é uma tarefa complexa. Muitos ainda usam vários aplicativos para funções diferentes, como um para a conta corrente e outro para o cartão de crédito. Em 2020, um banco precisa ter todos os serviços em apenas um canal de comunicação. É uma das transformações impostas pelas fintechs.

A cobrança de taxas deve desaparecer

Outra mudança trazida pelas fintechs foi a oferta de serviços “gratuitos” ao público. O Nubank, por exemplo, já entrou no mercado abolindo a taxa do cartão de crédito. Os bancos latino-americano precisam encontrar novas maneiras de fazer dinheiro sem depender da cobrança de taxas de seus clientes. O uso de dados para oferecer serviços personalizados a eles é um dos caminhos.

Confiança é chave

A segurança de dados do consumidor é um processo cada vez mais transparente, e cabe aos bancos a manter essa segurança intacta. Assim, o cliente cria confiança com as ferramentas de autenticação que usa – e isso vira um instrumento adicional de retenção da clientela.

Clique aqui e leia no Vida de Empresa histórias sobre como as companhias estão enfrentando o coronavírus.

- Publicidade -

Outras notícias

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

- Publicidade -

Mais recentes

#NãoVolte: CEOs defendem que mundo não volte a ser como antes da pandemia

Um grupo de quase 50 líderes empresariais brasileiros, entre os quais estão mais de 30 CEOs, aderiu a uma campanha internacional que defende que...

O que coloca São Paulo entre os 100 maiores polos científicos do mundo

São Paulo está entre os 100 principais polos de produção científica do mundo, segundo um novo ranking, publicado neste início de setembro. A lista é um...

Filantropia aumenta a desigualdade em vez de reduzi-la, diz novo livro

A filantropia nunca foi tão intensa no mundo quanto nos dias de hoje, mas, em vez de ajudar a reduzir a distância de renda...

Carlos Brito, da AB InBev: os três pilares da liderança corporativa

Após mais de uma década, Carlos Brito pode estar perto de encerrar sua trajetória como principal executivo da Anheuser-Busch InBev. O Financial Times informou nesta...

As diferenças entre o boom de IPOs de 2020 e o de 2007

Se o ritmo atual se mantiver, o mercado de capitais brasileiro deve registrar um volume recorde de lançamentos de novas ações na B3. Nesta...