Mais um efeito colateral da pandemia: compartilhar dados em excesso

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Com a adoção de regimes de trabalho remoto por causa da pandemia, as pessoas estão usando seus telefones celulares com mais frequência que de hábito. E, do ponto de vista da privacidade, isso pode ser um problema. Três amplos estudos da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, mostram que as pessoas divulgam mais informações pessoais a partir de seus smartphones do que de computadores. Para quem passou a usar o telefone celular com mais frequência que o habitual, esse passou a ser mais um efeito colateral do novo coronavírus.

Segundo os pesquisadores, o compartilhamento ocorre com o uso de redes sociais, avaliações online, pesquisas e anúncios de hábitos de consumo. Nos telefones, as pessoas naturalmente respondem de uma perspectiva pessoal. Tuítes e comentários feitos via smartphones têm maior probabilidade de ser sobre temas como família, amigos e emoções.

Assim, os usuários dos telefones também têm maior probabilidade de divulgar detalhes particulares, como renda e número de telefone, para anúncios on-line. Em outras palavras, os instintos básicos de autoproteção se dissipam no momento em que você atende o telefone.

A razão, dizem os pesquisadores, é que as pessoas percebem seus telefones como uma zona segura, associada a conforto e familiaridade. “Como nossos smartphones estão conosco o tempo todo e desempenham tantas funções vitais em nossas vidas, eles costumam servir como ‘chupetas para adultos’, que trazem a ideia de conforto aos seus proprietários”, diz Shiri Melumad, professor assistente de marketing da Escola Wharton, da Universidade da Pensilvânia.

O tamanho dos aparelhos também influencia: por serem pequenos, interagir com eles exige mais foco, o que reduz os cuidados do usuário com questões como privacidade. (Os pesquisadores observam que o mesmo efeito ocorre quando as pessoas olham para seus telefones na rua, alheias ao tráfego.)

Os pesquisadores avaliaram 369.161 tuítes, 10.185 avaliações de restaurantes do TripAdvisor.com e 19.962 anúncios na web que pediam aos consumidores que fornecessem informações particulares. Os profissionais de marketing podem capitalizar essas descobertas usando smartphones para reunir as preferências e necessidades dos consumidores, além de incentivar os clientes a postar avaliações nos telefones, o que provavelmente será “percebido como mais persuasivo”.

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