CEO do Airbnb mostra a líderes empresariais que há jeito certo de demitir

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O CEO do Airbnb, Brian Chesky
O CEO do Airbnb, Brian Chesky

“Eu realmente sinto muito. Por favor, saiba que isso não é culpa sua.” Essa foi uma das manifestações do CEO do Airbnb, Brian Chesky, ao anunciar nesta semana a decisão da plataforma de estadias e atividades turísticas de demitir 1,9 mil pessoas, ou 25% de sua força de trabalho. O novo coronavírus afetou as economias em todo o mundo, e a indústria do turismo foi uma das primeiras a sofrer com a pandemia. Assim, por absoluta falta de demanda pelos serviços, infelizmente há casos em que as demissões serão inevitáveis. No entanto, a postura do executivo mostra aos líderes empresariais que também há formas corretas de desligar colaboradores.

Em carta (leia aqui na íntegra), Chesky apresentou os detalhes que embasaram a decisão de reduzir a equipe. Ele falou sobre as transformações que o segmento de hospedagens vai encarar por causa da covid-19 e que a empresa teria que se adaptar a esse novo momento. Isso passa por concentrar os esforços em áreas-chave, suspendendo os esforços em novas frentes, como transportes, hotelaria e o Airbnb Studios, operação na área de entretenimento.

Os demitidos que trabalham nos Estados Unidos receberão no pacote de desligamento salários equivalentes a 14 semanas (ou três meses e meio) de trabalho, mais o salário de uma semana para cada ano em que atuou na empresa. Fora dos EUA, todos os funcionários receberão pelo menos 14 semanas de pagamento, além dos adicionais previstos na legislação de cada país.

A empresa também assegurou cobertura com plano de saúde até o fim do ano, apoio de quatro meses em um programa voltado à saúde mental dos colaboradores e permitiu que os desligados ficassem com os laptops (da Apple) que eles usavam para trabalhar. “Um computador é uma ferramenta importante para se encontrar um novo emprego”, diz Chesky na carta. O Airbnb também criou um programa para ajudar esses profissionais a se recolocarem no mercado de trabalho.

Apoio também a quem fica

As demissões não afetam apenas os desligados, mas também os que ficam, já que o cenário de incerteza da pandemia permanece – e, com ele, a tensão constante sobre o futuro de seus empregos e a pressão de seguir produzindo em um setor bastante afetado pela crise. Para os funcionários que continuam na empresa, o CEO fez videoconferências específicas para cada região em que eles atuam – a companhia tem operações em 24 países. Chesky pediu ainda que os líderes de equipe dessem alguns dias para os funcionários assimilarem as mudanças, e só então falassem sobre elas com o time.

“Aos que ficam”, escreveu o CEO na carta, “uma das melhores maneiras de honrarmos aqueles que estão saindo é que eles saibam que a contribuição deles foi importantes e que eles sempre farão parte da história do Airbnb. Estou confiante de que o trabalho deles vai continuar, assim como esta missão.” Para os demitidos, além do pedido de desculpas e da mensagem de que eles não têm culpa pelo desligamento, o executivo disse que “o mundo nunca deixará de procurar as qualidades e talentos que você trouxe para o Airbnb… que ajudaram a fazer o que o Airbnb é. Quero agradecer, do fundo do meu coração, por você compartilhado essas qualidades e talentos conosco.”

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