Larry Fink: “Na crise, é preciso achar equilíbrio entre pragmatismo e compaixão”

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Larry Fink, CEO da BlackRock

Para além do gigantesco desafio de administrar quase US$ 7 trilhões em investimentos, Larry Fink, CEO da BlackRock, a maior gestora de recursos do mundo, é também uma das vozes mais proeminentes na defesa da sustentabilidade nas finanças globais. Nesta quinta-feira (14/5), em conversa transmitida ao vivo com o presidente do Santander, Sérgio Rial, ele expôs sua visão sobre a crise desencadeada pelo novo coronavírus – e como o capitalismo consciente tem que pautar as discussões sobre a recuperação da economia.

Na transmissão, o americano reiterou que é sob a ótica dos valores que o mundo precisa buscar um caminho para se reerguer da crise. “É preciso achar um equilíbrio entre pragmatismo e compaixão”, disse ele. “Neste momento, essa é a questão que todo governante, legislador e CEO deveria abordar.”

Em um quadro que não prevê uma vacina para a covid-19 no curto prazo e com um volume ainda insuficiente de testes, Fink entende que uma provável segunda onda de infecções precisará ser acompanhada por novos pacotes de estímulos. “Os mercados de capitais estão retomando, e esperamos que boa parte da economia se recupere”, afirmou. “Mas se essa segunda curva durar muito tempo, o que faremos com a questão do desequilíbrio social? Os mais impactados serão aqueles com menos privilégios.”

Fink também ressaltou a necessidade de cuidados extras com pequenas e médias empresas. Diferentemente das grandes corporações, argumentou, elas não têm acesso a fontes de financiamento como os mercados de capitais. “Muitos empregos foram eliminados pela covid-19. E muitos deles não vão voltar”, disse. “Por isso, vamos precisar da criação de grandes programas de empregos, especialmente em áreas como infraestrutura e construção civil.”

Cooperação é chave

Essas iniciativas exigiriam uma cooperação entre as diferentes esferas dos governos, os bancos e as grandes empresas, mas ele acha que a maior parte do capital para financiar esses projetos teria de vir do setor privado. E o espírito de colaboração tem de se estender à relação entre os países. “Em um momento como esse, estamos ouvindo falar sobre guerra comercial e países brigando para saber quem será o primeiro a ter acesso à vacina”, disse. “Os líderes precisam entender que estamos todos envolvidos nisso e que precisamos cooperar.”

Fink salientou ainda que a tecnologia será um componente cada vez mais fundamental e que as empresas que negligenciam os investimentos nessa frente deixarão de existir. “Os grandes vitoriosos serão as companhias que se conectam com clientes e funcionários usando esses recursos.”

Em linha com o seu discurso habitual, Fink ressaltou que a pandemia reforçará a necessidade de uma nova abordagem por parte de governos e empresas a questões como a sustentabilidade. E que essa demanda virá, especialmente, das novas gerações. “No pós-covid-19, acredito que os jovens e toda a sociedade vão exigir maior foco em frentes como as mudanças climáticas”, afirmou. “Nós ainda estamos negando esses impactos e não estamos fazendo o suficiente.”

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