Para especialistas, pandemia humanizou debate sobre sustentabilidade

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O debate sobre a adoção de uma agenda sustentável no cotidiano das empresas tem crescido ano a ano, mas não é recente. Com a pandemia, no entanto, as discussões não apenas se renovaram como ganharam senso ainda maior de urgência – e isso ocorreu porque a covid-19 reforçou o “aspecto humano” da sustentabilidade.

A leitura é de Sônia Favaretto e Malu Paiva, duas das mais respeitadas especialistas em sustentabilidade corporativa no país. Elas participaram nesta quinta-feira (21/5) de um seminário online sobre o tema organizado pelas consultorias de comunicação Imagem Corporativa – responsável pelo Vida de Empresa – e Walk4Good, que se dedica a projetos sustentáveis e de impacto social.

“Essa crise tem uma variável humana muito forte. Ela paralisou o mundo de maneira desigual”, diz Sônia Favaretto, presidente do conselho consultivo da Global Reporting initiative (GRI) no Brasil. Isso reforça a necessidade de as empresas olharem de fato para o impacto que suas decisões têm sobre colaboradores, fornecedores e outros envolvidos com a operação. “Não se trata apenas de falar sobre adoção ou não de home office. Essa é uma discussão muito elitista.”

Malu Paiva, diretora executiva de sustentabilidade da Suzano Papel e Celulose, acredita que a pandemia deixou mais evidente a interdependência de todos os elos da sociedade. Para as empresas, isso significa, na prática, que, na busca por melhores resultados e eficiência, elas não podem mais olhar para suas operações de maneira isolada. “Elas terão que olhar para todo o seu entorno, e de um modo diferente. Hoje, os fornecedores de uma empresa talvez precisem dela de outra maneira. Muitos podem não sobreviver à crise.”

A interdependência citada pela executiva significa, também, que nenhum agente resolverá sozinho os problemas surgidos com o novo coronavírus. “Nem Estado, nem empresas, nem o terceiro setor”, afirma ela. Em um trabalho conjunto, o setor privado precisa olhar além de seu horizonte particular. “Não adianta ir bem em um local que está mal”, diz. É o que Malu chama de “empresa estadista”.

A mudança de mentalidade será uma “prova de fogo” da missão e dos valores das companhias, acredita Sônia Favaretto. “‘O que me sustenta como companhia?’ será uma questão mais presente”, diz. E, para ela, a pandemia pode ser o empurrão definitivo para transformar a mentalidade corporativa. “‘É como disse [o ex-primeiro-ministro britânico Winston] Churchill: ‘Nunca podemos desperdiçar uma crise’.”

Assista abaixo à integra do webinar com Malu Paiva e Sônia Favaretto:

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