Sleeping Giants: movimento contra fake news já tem no Brasil mais seguidores que nos EUA

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Em menos de uma semana, a versão do Sleeping Giants, movimento que combate o financiamento de sites de fake news, já tem mais seguidores que o original, criado nos Estados Unidos há quase quatro anos. A marca foi atingida nesta segunda-feira. No Twitter, o Sleeping Giants Brasil tinha 283,5 mil seguidores no início da tarde desta segunda-feira (25/5). O americano – que fez questão de registrar o feito dos brasileiros -, por sua vez, contava com 276,9 mil.

Esses grupos expõem empresas que financiam, com anúncios, sites de extrema direita e que produzem notícias falsas de maneira deliberada e contínua. Em seus primeiros dias, o Sleeping Giants Brasil já tinha convencido mais de 35 marcas e empresas a retirarem publicidade em sistema de mídia programática do Google do site Jornal da Cidade Online. O portal, de Mato Grosso do Sul, foi identificado por ativistas como ativo propagador de notícias falsas e de discurso de ódio.

Nem todas as marcas e empresas que financiam canais que se dedicam a fake news têm ciência desse fato. Isso ocorre porque os anúncios são feitos por meio do sistema automático de publicidade do Google, que distribui os anúncios de acordo com as diretrizes informadas pelo anunciante.

Uma rede varejista pode ter interesse, por exemplo, em expor sua marca a um público de pessoas de 25 a 50 anos, das classes A e B, que costuma acessar conteúdos sobre política e economia e mora nas regiões Sul e Sudeste. Como um site de fake news pode ter essas características, o anúncio automático será também exposto nele.

É nesse ponto que o Sleeping Giants Brasil age: ao alertar as empresas sobre onde suas marcas estão aparecendo. Para encontrar os sites e também avisar as marcas, o movimento conta com o engajamento de seus seguidores. Cabe ao anunciante decidir se manterá ou não o anúncio no site identificado como disseminador de notícias falsas.

O Sleeping Giants Brasil mantém o foco em um site por tempo determinado até de fato interromper o direcionamento de anúncios a esse endereço. A estratégia é necessária, explica o movimento, para que, ao retirar um anúncio, o Adsense (o sistema de publicidade do Google) apenas o substitua por outro.

O movimento surgiu nos Estados Unidos em novembro de 2016, pouco depois da vitória de Donald Trump na eleição presidencial. Depois do Sleeping Giants original, surgiram iniciativas do gênero em cerca de 15 países, entre eles Canadá, Austrália, Alemanha, Espanha e Reino Unido. No Brasil, o Sleeping Giants também tem uma conta no Instagram, que já tem mais de 90 mil seguidores.

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