Desemprego de jovens na pandemia pode criar “herança de décadas”

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A pandemia ameaça criar uma geração perdida de jovens, afetados pelo aumento do desemprego e mais expostos a trabalhos precários. Mais de uma a cada seis pessoas de menos de 29 anos deixou de trabalhar desde o início da crise do coronavírus pandemia, segundo um novo relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT). E, dos que seguiram empregados, 23% tiveram redução em suas jornadas.

O Na pandemia, o desemprego entre os jovens começou a crescer aceleradamente em fevereiro, de acordo com a OIT, e afetou as mulheres mais que os homens. “A menos que sejam tomadas medidas urgentes para melhorar a situação [dos jovens], talvez tenhamos de suportar o legado do vírus por décadas”, disse, em comunicado, Guy Ryder, diretor-geral da OIT.

Segundo a entidade, os jovens estão sendo desproporcionalmente afetados pela pandemia, que tem sobre essa parcela da população um “triplo choque”. Além da perda do emprego, eles sofreram com restrições de acesso a educação e treinamentos. Esses fatores devem dificultar a vida de quem busca se recolocar no mercado de trabalho ou encontrar uma nova ocupação.

Cerca de metade dos jovens estudantes ouvidos pela entidade relata um “provável atraso” na conclusão completa de seus estudos, e 10% deles afirmam que não serão capazes de concluí-los. Com uma taxa de 13,6% em 2019, o desemprego juvenil já era maior do que em qualquer outro grupo populacional. Pelo menos 267 milhões de jovens apareciam entre os chamados “nem-nem”: estavam desempregados, não frequentavam a escola nem cursos profissionalizantes.

Além do desemprego, a precarização do trabalho também tem afetado essa fatia da população. Dos jovens de 15 a 24 anos que trabalhavam, grande parte estava em atividades que os tornavam mais vulneráveis, seja pela péssima remuneração, seja pela informalidade causada pelo fato de eles serem imigrantes.

Testes na pandemia mantêm empregos

No relatório, a OIT também observou que as políticas de teste em massa da covid-19 têm causado menos perturbações sociais e no mercado de trabalho do que as medidas de quarentena e isolamento social. Nos países que têm testado sua população em larga escala, a redução média das jornadas é até 50% menor que nos demais.

Segundo a OIT, há três razões para isso: testes e triagem reduzem a necessidade de medidas estritas de contenção; promovem a confiança do público, incentivando o consumo e ajudando a apoiar o emprego; e ajudam a minimizar as interrupções operacionais no local de trabalho.

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