Em meio a protestos, marcas falam sobre racismo nos EUA

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As grandes empresas costumam evitar conflitos e fugir de temas considerados controversos. Elas temem ofender seus consumidores e associar suas marcas a assuntos sensíveis. Mas a morte do ex-segurança George Floyd em uma ação policial na cidade americana de Minneapolis, que desencadeou protestos em todo o país, mostra que há momentos em que essa postura exige exceções.

Um policial branco, que já foi preso, pressionou o pescoço de Floyd – que era negro – com o joelho durante 8 minutos e 46 segundos, em cenas que foram gravadas e ganharam o mundo. A comoção nacional fez muitas marcas se manifestarem. O episódio atesta como, no debate público, o silêncio das empresas em casos extremos como esse pode ser tomado pelos consumidores como indiferença – ou conivência.

Já na sexta-feira (29/5), dois dias depois do crime, a Nike divulgou um vídeo que pedia às pessoas que parassem de fingir que “não há um problema na América”; a peça foi posteriormente compartilhada por Adidas e Converse.

Nos últimos anos, a Nike construiu uma reputação de não ficar em cima do muro no debate sobre o racismo. A marca foi premiada em 2018 pela campanha com o jogador de futebol americano Colin Kaepernick na qual dizia ao público para “acreditar em algo, mesmo que isso signifique sacrificar tudo”. Kaepernick ganhou projeção internacional ao ficar com um joelho no chão durante a execução do hino dos Estados Unidos. Com o ato de protesto contra o racismo no país, o atleta não conseguiu mais contratos para disputar a liga de futebol americano.

Na ViacomCBS, todas as marcas e plataformas de entretenimento e voltadas ao público jovem sairão do ar nesta segunda-feira por 8 minutos e 46 segundos, o tempo exato de asfixia de George Floyd. No comunicado interno assinado pelo presidente de marcas de entretenimento e juventude da ViacomCBS, Chris McCarthy, o executivo escreveu que o ato servirá também para lembrar todas as vítimas de racismo.

Mark Mason, diretor financeiro do Citigroup, escreveu no site do grupo que reagiu com “horror, nojo e raiva” ao vídeo da morte de George Floyd. “Embora eu seja o CFO de um banco global, os assassinatos de George Floyd em Minnesota, de Ahmaud Arbery na Geórgia e de Breonna Taylor no Kentucky são lembretes dos perigos que os negros americanos como eu enfrentamos em nossa vida cotidiana”, escreveu.

A agência de publicidade 72andSunny escreveu no Instagram que “os brancos precisam começar a carregar esse fardo” de combater o racismo. A Reebok disse em uma mensagem à “comunidade negra” que “está em solidariedade com vocês”, dizendo a seus seguidores nas redes sociais: “Não estamos pedindo para você comprar nossos calçados. Pedimos que você se coloque no lugar de outra pessoa”.

As marcas da WarnerMedia, entre elas HBO, TBS e HBO Max, mudaram seus nomes no Twitter para #BlackLivesMatter e citaram o romancista negro James Baldwin: “Nem amor nem terror nos cegam: a indiferença nos cega”. Outras marcas e empresas conhecidas, como Asos, Forever 21, Revolve, Levi’s, Adidas e Puma, expressaram sentimentos semelhantes nas mídias sociais, com alguns hashtags de suas postagens com #BlackLivesMatter ou #JusticeForGeorgeFloyd. A Gap também anunciou a doação de US$ 250 mil para apoiar a NAACP e a Embrace Race, uma organização sem fins lucrativos com o objetivo de “criar uma geração de crianças que são atenciosos, informados e corajosos sobre a raça”.

O espírito dessas e de outras manifestações foi resumido em um tuíte que a Netflix escreveu no sábado: “Ficar em silêncio é ser cúmplice. Vidas negras importam”.

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