Atos contra o racismo lançam luz sobre desigualdades nas empresas

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A morte do ex-segurança George Floyd em uma ação policial na cidade americana de Minneapolis desencadeou protestos contra o racismo nos Estados Unidos e também em outros países, entre eles o Brasil. A violência da polícia contra negros – Floyd, um homem negro, morreu depois que um policial branco pressionou seu pescoço com o joelho por quase 9 minutos – foi o ponto de partida das manifestações, que puseram novos holofotes também sobre outros aspectos de desigualdade social e econômica.

No Brasil, uma série de dados mostra essa desigualdade no contexto do mercado de trabalho. A proporção de negros com diploma universitário é bem menor que a de brancos – e mesmo para os que concluem uma faculdade a conquista não é sinônimo de equiparação salarial. Em média, os brancos com ensino superior ganham 31% mais que os negros.

O cálculo foi revelado no início do ano pelo Instituto Locomotiva, empresa especializada em pesquisas e análises de tendências de comportamento e mercado consumidor. Para o levantamento, foram ouvidas 1.170 pessoas em 43 cidades do país. Depois de analisar todas as variáveis para tentar compreender as diferenças salariais, a cor da pele foi o item comum entre os que ganhavam mais e menos.

O recorte do ensino superior é um dos que atestam a desigualdade, mas esse quadro aparece em todos os estratos profissionais. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2019, a diferença geral entre os salários de trabalhadores brancos e negros é de 45%. Quando se considera também o gênero, a diferença entre mulheres brancas e negras chega a ser de 70% para trabalhadoras com mesmo nível de experiência que exercem funções equivalentes entre si.

Busca por oportunidades

A inclusão no mercado de trabalho é o tema mais urgente para a população negra, segundo a pesquisa Consciência entre Urgências: Pautas e Potências da População Negra no Brasil, divulgada em novembro pelo Google Brasil. Para 46% dos entrevistados, encontrar emprego é um dos assuntos prioritários para as pessoas negras. Para o estudo, realizado pela consultoria Mindset e pelo Instituto Datafolha, ouviu 1,2 mil pessoas pretas e pardas ao longo de outubro de 2019.

Outro desafio ainda maior é a inserção em cargos de chefia e confiança. Segundo levantamento do Instituto Ethos com as 500 maiores organizações do país, negros e negras ocupam apenas 4,7% dos cargos executivos, 6,3% dos gerenciais e 35,7% da folha funcional das empresas. Em conjunto, esses dados mostram a desproporção da diversidade do mercado de trabalho, ja que mais de 55% dos brasileiros são pretos e pardos.

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