Novo efeito colateral da pandemia: empresas investirão menos em inovação

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O novo coronavírus tem reforçado a importância de investimentos constantes em pesquisa e ciência, mas, na contramão disso, a pandemia deve na verdade reduzir os aportes das empresas em inovação. Essa é uma das constatações que surgem de uma pesquisa recente feita pela Rainmaking, consultoria britânica de inovação com operações em quatro continentes.

Em meados de março, pouco antes de a covid-19 se alastrar de vez pelo Ocidente, a inovação estava em quase todas as agendas corporativas. Apenas 8% dos líderes empresariais ouvidos pela consultoria na ocasião disseram que não estavam planejando investir nessa frente. Um mês depois, no entanto, o número já havia pulado para 25%.

Adiar ou cancelar projetos de inovação foi uma das principais respostas financeiras à pandemia, ao lado de demissões e outras medidas de diminuição de custos. Dos executivos entrevistados, 28% disseram que, em suas companhias, ações do gênero estavam nos planos. O levantamento ouviu mais de 300 CEOs de grandes corporações dos Estados Unidos, do Reino Unido e da Escandinávia.

Lições desperdiçadas

Segundo o material, ao reduzirem seus investimentos em inovação, as empresas estão ignorando todas as lições aprendidas, por exemplo, com a recessão de 2008. Nela, as companhias que investiram pesadamente durante a crise emergiram muito mais fortes do que as rivais. Esse fenômeno foi descrito em um estudo publicado no ano passado pela consultoria McKinsey.

A Samsung, por exemplo, ampliou seus gastos com publicidade, e Nokia e Motorola cortaram custos. Com isso, as vendas de celulares da Nokia e da Motorola despencaram, enquanto a Samsung emergiu como líder global de telefonia móvel, com 30% de participação de mercado.

“É compreensível que muitos líderes tenham se concentrado em estabilizar as operações-chave de suas empresas, economizando custos e reforçando suas cadeias de suprimentos durante as fases iniciais da crise da covid-19”, diz o CEO da Rainmaking, Carsten Koelbek, em comunicado. “No entanto, também é evidente que os vencedores em crises anteriores foram aqueles que começaram a investir em novas oportunidades de crescimento desde o início. Nenhuma empresa pode ter sucesso a longo prazo com base na economia de custos.”

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