Atos contra o racismo já mudam as tecnologias de reconhecimento facial

Leia também

Startups de energia receberam só neste ano 78% do total de investimentos no setor desde 2015

No ano de uma das piores crises hídricas do Brasil com consequências sobre a produção de energia, as startups do setor já receberam R$...

Pesquisa mostra que líderes empresariais esperam garantir ganhos de sustentabilidade e mudanças climáticas

Uma pesquisa realizada pela KPMG neste ano com 500 CEOs globais de consumo e varejo,mostra que 92% deles desejam garantir os ganhos de sustentabilidade...

Foi a IBM que cunhou o termo “smart city”. No centro do conceito das “cidades inteligentes” está a coleta de dados para o desenvolvimento de melhores produtos e serviços, feita a partir, por exemplo, do uso de câmeras de monitoramento urbano. No entanto, agora, no que depender da companhia, a infraestrutura das cidades inteligentes não terá mais as câmeras de reconhecimento facial – e os atos contra o racismo que se alastraram pelos Estados Unidos nas últimas semanas estariam por trás dessa decisão.

Em carta aberta a congressistas americanos, o CEO da IBM, Arvind Krishna, anunciou na última segunda-feira (8/6) que a empresa abandonará completamente o desenvolvimento desse tipo de ferramenta. “A IBM não oferece mais tecnologias de reconhecimento facial. A IBM é contra o uso de qualquer tecnologia – incluindo o reconhecimento facial – para fins de vigilância em massa, criação de perfis raciais e violação de direitos humanos”, disse o executivo.

E essa não é a única mudança. Dois dias depois do comunicado feito pela IBM, a Amazon anunciou a decisão de proibir o uso de sua tecnologia de reconhecimento facial por forças policiais nos próximos 12 meses. E, nesta quinta, o presidente do conselho de administração da Microsoft, Brad Smith, declarou ao jornal The Washington Post que a tecnologia da empresa não servirá para fins de segurança pública enquanto não houver uma lei específica – e, portanto, um amplo debate público – sobre o tema.

As decisões das três gigantes ocorre em meio aos protestos que têm ocorrido nos EUA desde a morte do ex-segurança George Floyd na cidade americana de Minneapolis. Floyd morreu após uma ação da polícia realizada no dia 27 de maio. Um policial branco pressionou o pescoço de Floyd, que era negro, com o joelho durante quase nove minutos. As cenas foram gravadas e ganharam o mundo.

Mais erros entre negros que brancos

As tecnologias de reconhecimento facial – das quais IBM, Amazon e Microsoft são as maiores fornecedoras – têm sido adotadas de maneira crescente em todo o mundo como parte de políticas de segurança pública, ainda que sua eficácia venha sendo repetidamente contestada. Em 2018, por exemplo, um estudo conduzido pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT) mostrou que as ferramentas das três companhias erravam muito mais vezes o gênero de pessoas com pele escura do que o das de pele clara, o que poderia comprometer a identificação de suspeitos em ações e inquéritos policiais. Dito de outra forma, o chamado falso positivo ocorre muito mais entre negros do que brancos.

Arvind Krishna, executivo nascido na Índia e que assumiu o posto de CEO da IBM há dois meses, afirma que, em vez de oferecer serviços de reconhecimento facial, a companhia está disposta a trabalhar com o Congresso americano em três frentes: reforma policial, uso responsável da tecnologia e aumentar as oportunidades oferecidas à população na área de educação. “A luta contra o racismo é mais urgente que nunca”, escreveu ele.

- Publicidade -

Outras notícias

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

- Publicidade -

Mais recentes

Startups de energia receberam só neste ano 78% do total de investimentos no setor desde 2015

No ano de uma das piores crises hídricas do Brasil com consequências sobre a produção de energia, as startups do setor já receberam R$...

Nestlé oferece empatia e acolhimento com Projeto Supera

As empresas têm de lidar a todo momento com os impactos ainda presentes da pandemia. Um dos mais complexos é o luto de quem...

Pesquisa mostra que líderes empresariais esperam garantir ganhos de sustentabilidade e mudanças climáticas

Uma pesquisa realizada pela KPMG neste ano com 500 CEOs globais de consumo e varejo,mostra que 92% deles desejam garantir os ganhos de sustentabilidade...

Reino Unido deve ter mais investimentos estatal para ampliar oferta de carregadores para carros elétricos nas ruas

O Reino Unido foi a primeira região do mundo a anunciar que a partir de 2030 não serão mais comercializados veículos a combustão fóssil,...

Extra investe em empreendimentos liderados por mulheres negras de periferias do Brasil

Criado em 2020 para apoiar empreendimentos de mulheres negras periféricas e contribuir para a manutenção dos seus negócios, o projeto da rede Extra, por...