Atos contra o racismo já mudam as tecnologias de reconhecimento facial

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Foi a IBM que cunhou o termo “smart city”. No centro do conceito das “cidades inteligentes” está a coleta de dados para o desenvolvimento de melhores produtos e serviços, feita a partir, por exemplo, do uso de câmeras de monitoramento urbano. No entanto, agora, no que depender da companhia, a infraestrutura das cidades inteligentes não terá mais as câmeras de reconhecimento facial – e os atos contra o racismo que se alastraram pelos Estados Unidos nas últimas semanas estariam por trás dessa decisão.

Em carta aberta a congressistas americanos, o CEO da IBM, Arvind Krishna, anunciou na última segunda-feira (8/6) que a empresa abandonará completamente o desenvolvimento desse tipo de ferramenta. “A IBM não oferece mais tecnologias de reconhecimento facial. A IBM é contra o uso de qualquer tecnologia – incluindo o reconhecimento facial – para fins de vigilância em massa, criação de perfis raciais e violação de direitos humanos”, disse o executivo.

E essa não é a única mudança. Dois dias depois do comunicado feito pela IBM, a Amazon anunciou a decisão de proibir o uso de sua tecnologia de reconhecimento facial por forças policiais nos próximos 12 meses. E, nesta quinta, o presidente do conselho de administração da Microsoft, Brad Smith, declarou ao jornal The Washington Post que a tecnologia da empresa não servirá para fins de segurança pública enquanto não houver uma lei específica – e, portanto, um amplo debate público – sobre o tema.

As decisões das três gigantes ocorre em meio aos protestos que têm ocorrido nos EUA desde a morte do ex-segurança George Floyd na cidade americana de Minneapolis. Floyd morreu após uma ação da polícia realizada no dia 27 de maio. Um policial branco pressionou o pescoço de Floyd, que era negro, com o joelho durante quase nove minutos. As cenas foram gravadas e ganharam o mundo.

Mais erros entre negros que brancos

As tecnologias de reconhecimento facial – das quais IBM, Amazon e Microsoft são as maiores fornecedoras – têm sido adotadas de maneira crescente em todo o mundo como parte de políticas de segurança pública, ainda que sua eficácia venha sendo repetidamente contestada. Em 2018, por exemplo, um estudo conduzido pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT) mostrou que as ferramentas das três companhias erravam muito mais vezes o gênero de pessoas com pele escura do que o das de pele clara, o que poderia comprometer a identificação de suspeitos em ações e inquéritos policiais. Dito de outra forma, o chamado falso positivo ocorre muito mais entre negros do que brancos.

Arvind Krishna, executivo nascido na Índia e que assumiu o posto de CEO da IBM há dois meses, afirma que, em vez de oferecer serviços de reconhecimento facial, a companhia está disposta a trabalhar com o Congresso americano em três frentes: reforma policial, uso responsável da tecnologia e aumentar as oportunidades oferecidas à população na área de educação. “A luta contra o racismo é mais urgente que nunca”, escreveu ele.

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