Para brasileiros, WhatsApp é o maior canal de difusão de fake news

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Para os brasileiros, nenhuma plataforma é mais utilizada para disseminar conteúdos falsos do que o aplicativo de mensagens WhatsApp. Essa é uma das constatações do Relatório de Notícias Digitais 2020 do Instituto Reuters, considerado o mais importante estudo global sobre jornalismo e novas tecnologias.

No mundo, o Facebook foi a plataforma mais citada pelos entrevistados, com 29%. No Brasil, Whatsapp e Facebook – ambos parte do grupo comandado por Mark Zuckerberg – foram citados por 35% e 24% das pessoas entrevistadas, respectivamente. A equipe responsável pelo relatório entrevistou mais de 80 mil pessoas em 40 países de todos os continentes. A maior parte das entrevistas foi feita antes da pandemia, mas, em alguns países, as respostas foram coletadas em abril. Com isso, elas já trazem reflexos da disseminação da covid-19 sobre a confiança dos cidadãos nas informações de interesse público.

Mais da metade (56%) dos entrevistados se disse preocupada com a identificação sobre o que é real e o que é falso no consumo de informações. O Brasil foi o país em que o receio foi mais acentuado, com 84%. Entre as fontes de desinformação, a mais citada no mundo foram os políticos, com 40% – essa foi também a resposta mais frequente no Brasil, além de Estados Unidos e Filipinas. Em seguida, no retrato global, apareceram ativistas (14%), jornalistas (13%), cidadãos (13%) e governos estrangeiros (10%).

O levantamento também constatou que, no mundo, 60% das pessoas preferem notícias mais objetivas, sem uma visão política clara. Esse quadro contrasta com o que é visto entre o público brasileiro: no país, 43% prefere ver notícias de acordo com suas concepções, o maior percentual de todo o relatório.

Cobertura da pandemia

Embora tenha sido feito, em grande parte, antes da pandemia, em seis países foi possível avaliar o consumo de notícias já depois do surgimento do novo coronavírus. Entre os ouvidos nesses locais, 60% consideraram que a imprensa ajudou a entender a crise e 65% concordaram que os noticiários explicaram o que os cidadãos poderiam fazer. Também nesses seis países, 32% dos entrevistados avaliaram que a imprensa exagerou no impacto da pandemia.

Para Nic Newman, pesquisador do Instituto Reuters, a crise provocada pela pandemia reforçou a importância de um jornalismo confiável e correto que possa informar a população. Ao mesmo tempo, ele lembra como a sociedade está suscetível a teorias da conspiração e à desinformação. “Os jornalistas não controlam o acesso à informação, enquanto o uso de redes sociais e plataformas dão às pessoas acesso a um rol grande de fontes e fatos alternativos, parte dos quais é enganosa ou falsa”, disse.

Em nota à Agência Brasil, o Facebook afirmou que está comprometido com o combate à desinformação. “Em abril, colocamos marcações de notícias falsas em cerca de 50 milhões de postagens em todo o mundo, removemos milhares de conteúdos que poderiam levar a danos no mundo real e direcionamos mais de 2 bilhões de pessoas a recursos de autoridades de saúde por meio da Central de Informações sobre a Covid-19. Também estamos ajudando jornalistas e organizações de notícias a se adaptarem às mudanças no mundo digital, assim como comprometemos mais de US$ 400 milhões em todo o mundo para apoiar esse trabalho.”

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