Pandemia gerou “reversão parcial da globalização”, diz professor do Insper

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Por um lado, a busca por uma solução para a covid-19 tem exigido colaboração entre institutos de pesquisa, universidades, empresas e governos de todo o mundo. Mas, se a pandemia tornou o trabalho conjunto quase uma obrigação na área científica, nas cadeias de produção industrial o que se se percebe é um fenômeno que pode ser visto como uma “reversão parcial da globalização”, afirma Gino Olivares, doutor em economia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e professor de macroeconomia no mestrado profissional em economia do Insper.

Esse fenômeno, avalia, o professor, é parte da adaptação das indústrias à interrupção do comércio internacional, em particular com a China, maior fornecedora de insumos industriais do planeta. Sem poderem importar matéria-prima, peças, componentes e outros itens para suas atividades, as empresas precisaram mudar, em regime de urgência, suas cadeias de produção.

“As empresas descobriram, ou ficou mais evidente, a dependência que elas têm em relação a outros países para acessar componentes para seus produtos”, diz Olivares ao site do Insper. “Se uma máquina precisa de 100 peças, por exemplo, você tem 99 e uma precisa vir da China, e há dificuldade nessa importação, seu produto não existe. Então, esse seria um processo de reversão parcial da globalização.”

O professor conta que empresas com as quais ele tem conversado relatam que estão nacionalizando seus processos de produção e os internalizando para não dependerem de fornecedores externos. Olivares acredita que essas medidas devem criar um “processo de reindustrialização” – relacionado, também, com o nível atual da taxa de câmbio, que encarece as importações. “A terceirização da produção está sendo revertida, pelo menos pelas grandes empresas, que querem ter controle da maior parte da cadeia para alcançar independência (…) Se o consumidor vai se reinventar, as empresas também irão.”

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