Na AL, três casos reafirmam na pandemia como a comunicação é atividade essencial

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Se havia dúvidas de que a comunicação é uma atividade essencial para o bom relacionamento entre países, empresas e indivíduos, com a pandemia, essa incerteza parece ter deixado de existir. Por motivos distintos, as experiências de Brasil, México e Colômbia no combate à covid-19 são um atestado do valor da boa comunicação – e do estrago que a comunicação ruim pode causar.

Essas constatações foram apresentadas neste mês em um seminário virtual do qual participaram profissionais de comunicação e relações governamentais dos três países: Gustavo Almaraz Petrie, CEO do Grupo Estratégia Política (México), Andrés Ortiz, CEO da Dattis (Colômbia), e Ciro Dias Reis, fundador e CEO da Imagem Corporativa (Brasil), empresa responsável pelo Vida de Empresa.

Nos últimos meses, ficaram notórias declarações dos governos brasileiro e mexicano minimizando a gravidade do coronavírus. Em ambos os países, essas manifestações dificultaram ainda mais o diálogo do governo federal tanto com o setor produtivo quanto com os governos locais.

Empresas brasileiras assumem protagonismo

“No Brasil, as empresas são sempre mais organizadas que os governos. Isso neutralizou um pouco a falta de organização do governo federal na pandemia”, disse o CEO da Imagem Corporativa. Até esta terça-feira (23/6), o país era um dos dois únicos no mundo com mais de 50 mil mortes causadas pela covid-19, segundo as estatísticas oficiais. São, ao todo, 51,2 mil mortos em um universo de 1,1 milhão de infectados.

Com doações, medidas para evitar a contaminação de seus funcionários e outras iniciativas conjuntas, as empresas mostraram ser essenciais para a organização de toda a sociedade – e isso não se restringe à pandemia, acredita o jornalista brasileiro. “Esse novo status do setor empresarial dificilmente será perdido”, diz ele. “E a manutenção desse status vai depender da comunicação.”

No México, polarização

Petrie, do Grupo Estratégia Política, afirma que a experiência mexicana atesta como a comunicação é item básico para a própria continuidade dos negócios. Assim como no Brasil, nos últimos meses, o debate público ficou polarizado no México, com retomada econômica e combate à pandemia sendo tratados como temas antagônicos. “A pandemia mostrou que a atividade de relações governamentais é essencial”, diz ele. “A comunicação com os governos mostrou ser não só importante como vital.”

No México, em média, 12,1 pessoas que contraem a covid-19 acabam morrendo, o que faz da taxa de letalidade registrada no país uma das mais altas do mundo. Até esta terça-feira, de acordo com os dados oficiais, 185 mil pessoas haviam sido infectadas pelo novo coronavírus no país. São, ao todo, 22,5 mil mortos.

Exemplo colombiano

Os resultados da Colômbia contra a covid-19 são bem melhores que os de brasileiros e mexicanos. Não é casual que, no seminário virtual sobre a reabertura econômica dos três países, a comunicação colombiana tenha sido mencionada com destaque. No pior cenário previsto no início da pandemia, falava-se no risco de o país registrar, em meados de junho, 300 mil infectados e 30 mil mortos. Hoje, os casos de contaminação somam 71,3 mil e as mortes, 2,4 mil. A taxa de letalidade, de 3,4%, é uma das menores do mundo, e as unidades de terapia intensiva dos hospitais nunca estiveram ameaçadas de superlotação.

“A Colômbia tem um histórico de grande polarização, mas a pandemia mostrou que é possível alinhar as ações em nome de um bem comum”, disse Andrés Ortiz, da Dattis. O governo federal deu diretrizes gerais sobre o combate à pandemia, explica Ortiz, e os prefeitos tiveram autonomia de decidir como agir, a depender de como a doença estava se alastrando em cada local. Há clareza sobre a necessidade de reabertura da economia, uma demanda constante do empresariado, mas sem que isso seja sinônimo de deixar de cuidar da saúde da população.

A íntegra do seminário virtual está disponível neste link.

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