Ennio Morricone: a trajetória empreendedora – e menos conhecida – do maestro

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O maestro italiano Ennio Morricone em 2013
O maestro italiano Ennio Morricone em 2013 (Foto: Gonzalo Tello)

Ennio Morricone, que morreu nesta segunda-feira (6/7), em Roma, aos 91 anos, foi o autor de algumas das trilhas sonoras mais famosas e inconfundíveis da história do cinema. As obras e os prêmios são a parte mais conhecida de sua longa trajetória, mas o maestro italiano também teve uma caminhada no mundo dos negócios, em uma experiência que deixou lições para os empreendedores.

A empreitada, um estúdio de gravação, começou em 1969 e durou uma década. Morricone juntou-se aos também compositores Armando Trovaioli, Luis Bacalov e Piero Piccioni e comprou o Orthophonic Studio, em Roma, seguindo uma sugestão feita originalmente por Enrico de Melis, que foi agente de Morricone. A ideia: unir os quatro para que eles investissem em um espaço para poderem trabalhar em suas criações para o cinema.

Àquela altura, o maestro já era um nome conhecido. Poucos anos antes ele tinha criado, por exemplo, as trilhas de Por um Punhado de Dólares, (1964), Por uns Dólares a Mais (1965) e Três Homens em Conflito (1966), a trilogia do diretor Sergio Leone que lançou o ator e diretor Clint Eastwood ao estrelato.

Em 1979, os compositores-empreendedores decidiram vender o estúdio. “As despesas para manter e implementar novas tecnologias tinham ficado muito altas”, conta o maestro em Ennio Morricone: In His Own Words, livro de memórias lançado em 2019. O produtor Marco Patrignani comprou o estúdio e o mantém desde então.

Quando o melhor que o fundador faz é deixar a empresa

O fim de sua trajetória no mundo empresarial não deixa de ser uma lição aos empreendedores: a sobrevivência de uma empresa às vezes exige medidas extremas – e isso eventualmente inclui também a saída de seu fundador. Quando foi hora, Morricone e seus sócios souberam reconhecer que, para que a empresa seguisse funcionando, era hora de eles saírem.

Rebatizado de Fórum Music Village após a venda, o estúdio seguiu como o local “oficial” de gravação de Morricone. Foi com a estrutura que o maestro trabalhou com diretores como Don Siegel (Os Abutres Têm Fome, de 1970), Brian de Palma (Os Intocáveis, 1987), Giuseppe Tornatore (Cinema Paradiso, 1988), Barry Levinson (Bugsy, 1991) e Quentin Tarantino (Os Oito Odiados, de 2015).

Morricone tinha sido internado em uma clínica dez dias atrás, após sofrer uma queda em casa e quebrar o fêmur. O compositor assinou mais de 500 trilhas sonoras para o cinema e ganhou dezenas de prêmios. A lista inclui, entre outros, dois Oscar, três Globos de Ouro, quatro Grammy, seis Bafta e dez David, o mais importante do cinema italiano.

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