Meio bilhão de dólares: a lógica empresarial por trás do maior contrato de um atleta na história

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Nesta terça-feira (7/7), o mundo esportivo conheceu o maior acordo salarial já fechado entre um atleta – de qualquer modalidade – e sua equipe. Patrick Mahomes, jogador do Kansas City Chiefs, da NFL, a liga de futebol americano, receberá pouco mais de US$ 500 milhões da franquia até 2031. Como, em plena pandemia, sob uma grave crise econômica, uma equipe oferece mais de meio bilhão de dólares por um atleta? Há uma lógica empresarial por trás da decisão – e o acordo pode ter sido, na verdade, um bom negócio para ambos.

Primeiro, há o aspecto desportivo do acerto. Mahomes atua como quarterback, a posição mais valorizada no futebol americano – e na qual a oferta de bons jogadores é escassa. Além disso, aos 24 anos, o atleta é um protagonista da liga americana – e, ao mesmo tempo, ainda pode ter muitos anos no auge. Mahomes liderou os Chiefs na campanha do título nacional conquistado em fevereiro e, dois anos atrás, já tinha sido eleito o melhor jogador da NFL.

A divisão igualitária das receitas de TV também explica o acerto recorde. Independentemente de seu desempenho nos campeonatos, todas as 32 franquias da NFL recebem fatias iguais da verba dos acordos de transmissão dos jogos – e essa é a principal receita de todas as equipes. Assim, sem poderem negociar contratos de transmissão maiores que os de seus oponentes, as equipes precisam tornar seus times mais “atraentes” para aumentar seu faturamento em outras frentes.

É preciso, por exemplo, negociar patrocínios melhores ou aumentar os preços dos ingressos. Essas medidas só são possíveis se o time conquistar títulos ou, ao menos, fizer sempre boas campanhas. “No fim das contas, o valor (da franquia) sobe ou desce de acordo com a lei da oferta e da demanda”, resume Jeff Phillips, da consultoria financeira Stout.

Teto salarial

As franquias têm um teto para gastar com os salários de seus atletas. Esse limite cresceu 61% nos últimos sete anos, passando de US$ 123 milhões em 2013 para US$ 198 milhões em 2020, e porque as receitas da NFL também cresceram. Mas a remuneração média não subiu na mesma velocidade: um salário anual de US$ 10 milhões em 2013 consumia 8% do limite sete anos atrás e 5% em 2020. Com isso, no acerto com Patrick Mahomes, o Kansas City Chiefs também usou a lógica de assegurar um “ativo” raro (no caso, o melhor jogador da posição em que há menos oferta de bons nomes) em um cenário de crise.

Como explica o jornal The Wall Street Journal, a pandemia pode afetar as receitas da liga – e isso diminuiria também o teto salarial. Se o limite de gastos com salários cair no curto prazo – porque os torcedores não podem assistir aos jogos por causa do isolamento social ou por estarem sem dinheiro, por exemplo -, ao menos o melhor nome já estará assegurado. E por mais de uma década.

Para efeito de comparação: segundo a revista Forbes, o português Cristiano Ronaldo, da Juventus, é o jogador de futebol mais bem pago do mundo. Em 2018, ele fechou um contrato de quatro anos com a equipe italiana que totalizava US$ 140 milhões (em valores não-corrigidos), ou US$ 35 milhões por ano. Ao longo de uma década, Patrick Mahomes receberá cerca de US$ 50 milhões anuais.

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