G20 pode estar falhando na “transição verde” esperada para a pandemia, diz estudo

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O novo coronavírus poderia representar um marco de transição para atividades mais sustentáveis, segundo projeções que têm sido feitas desde o início da pandemia. Na prática, no entanto, o G20, grupo que reúne as maiores economias do mundo, pode estar falhando na chamada transição verde, segundo um estudo coordenado centro de pesquisa canadense International Institute for Sustainable Development (IISD).

Até esta quarta-feira (15/7), os integrantes do G20 comprometeram-se com ações de estímulo à indústria de combustíveis fósseis que custarão US$ 150,8 bilhões, montante que representa 56% do total de medidas identificadas pelo levantamento. O apoio à energia limpa ficou, até o momento, com um terço do bolo (US$ 88,6 bilhões).

As medidas têm sido catalogadas pelo Energy Policy Tracker, um banco de informações lançado por 14 organizações de diferentes países. A plataforma classifica os investimentos em energia como “limpas”, “fósseis” e “outras”; as que estão reunidas neste último grupo receberam, até agora, 11% do total.

Dados sobre o Brasil

O banco de dados reúne 24 políticas energéticas adotadas pelo Brasil desde o início da pandemia, sendo nove para energias fósseis, oito para o grupo “outras” e sete para limpas. Não estão especificados os valores para todas elas. Em parceria com a Universidade Columbia, Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) fará o monitoramento das ações anunciadas no Brasil.

De acordo com o Inesc, o país tem mantido incentivos fiscais a combustíveis fósseis há décadas. Só em 2018, informa um estudo disponível na plataforma, essa indústria recebeu R$ 85 bilhões. Boa parte desse montante foi na redução das alíquotas da contribuição social do Programa de Integração Social (PIS) para diesel e gasolina.

Em 2018, ainda de acordo com o Instituto, o estímulo brasileiro a combustíveis fósseis custou 2,8 vezes mais que o orçamento do Programa Bolsa Família (R$ 30 bilhões) e o dobro do volume de recursos destinado ao seguro-desemprego (R$ 40,6 bilhões). Além disso, os incentivos foram 24 vezes maiores que o orçamento total do Ministério do Meio Ambiente, que foi de R$ 3,49 bilhões naquele ano.

Os Estados Unidos ofereceram à indústria de combustíveis fósseis o maior volume de recursos entre todas as nações do G20: foram US$ 58,1 bilhões só nas medidas que não exigem contrapartida; a energia limpa, por sua vez, recebeu US$ 25,1 bilhões. Os países do grupo são responsáveis por 80% das emissões de poluentes causadores da crise climática.

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