Boicote ao Facebook: especialista explica por que defende o corte de receitas de redes sociais

0
12
Foto: Jon Tyson

O Facebook tem enfrentado uma onda crescente de boicotes de anunciantes. Marcas como Adidas, Coca-Cola, Microsoft e, mais recentemente, Disney decidiram não mais investir em publicidade na rede social porque, segundo alegam, a empresa estaria fazendo pouco esforço para coibir discursos de ódio e disseminação de notícias falsas. Mais de mil anunciantes já aderiram à campanha Stop Hate For Profit em todo o mundo.

A iniciativa faz sentido? E ela terá algum efeito prático? Whitney Phillips, autora americana com vários livros publicados sobre o tema, não só acredita nisso como defende o fim do financiamento às redes sociais. Nesse argumento, ela faz alusão ao “defund the police“, movimento que pretende reduzir as verbas para a polícia americana. A iniciativa ganhou projeção desde que George Floyd foi morto durante uma ação policial nos Estados Unidos, há cerca de dois meses.

A “economia da atenção” precisa ser transformada de vez, afirma a autora. Esse modelo de negócio, que está por trás do funcionamento das redes sociais, recompensa conteúdos que atraem cliques, audiência, independentemente de serem verdade ou não. Aliás, muitas vezes, quanto mais absurdos e irresponsáveis os conteúdos, maiores os números de visualizações e compartilhamentos.

A professora falou sobre o defund das redes sociais em um artigo para a revista Wired. O Vida de Empresa reuniu, em quatro pontos, seus argumentos:

Não se pode recompensar a cretinice 

Se não recompensarmos com cliques e curtidas quem se comporta nas redes sociais de maneira extremada, argumenta a autora, elas terão menos razões para continuar agindo dessa forma. “Isso reduziria o incentivo para essa pessoa ser uma cretina”, escreve a professora, sem meias-palavras.

Não se pode “normalizar” discursos absurdos

Na pandemia, houve (e há) quem dissesse que o uso de máscaras não deveria ser obrigatório. Não é o que cientistas sérios recomendam. Mas as redes sociais amplificaram esse tipo de discurso, dando a ele a aparência de ser aceitável, mesmo que a ciência (e o bom senso) diga o contrário.

Nosso senso crítico é limitado

As redes sociais surgiram na internet há mais de uma década. A essa altura, já está claro que, em linhas gerais, as pessoas não conseguem formar senso crítico com base na avalanche de informações que recebem. Mais uma vez a professora cita o “movimento” dos antimáscara: compartilhar esse tipo de conteúdo dá holofotes a ele – que é justamente o que se pretendia com sua produção -, mas sem que isso sirva como informação útil. A economia da atenção é a “tirania de quem faz mais barulho”, diz o artigo.

A checagem de informações é traiçoeira

A atividade de checagem de informações, ou fact-ckecking, cresceu nos últimos anos com os esforços de combate às notícias falsas. As redes sociais aumentam o acesso de todos nós aos fatos? Mas acesso a informações não é exatamente um problema para quem acredita, digamos, que a terra é plana. “Atirar os fatos em um mar de mentiras não muda corações e mentes em um passe de mágica”, explica a professora.

O artigo da professora Whitney Phillips está disponível neste link. Seus pontos de vista sobre o tema aparecerão também em You Are Here: A Field Guide for Navigating Polluted Information. O livro, escrito em parceria com Ryan Milner, professor do Departamento de Comunicação do College of Charleston, na Carolina do Sul, será lançado em 2021.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui