Pressionados, CEOs de gigantes de tecnologia dos EUA apelam ao patriotismo

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Foto: reprodução

As políticas comerciais de Amazon, Apple, Facebook e Google estão sob pressão crescente. As empresas, que estão entre os maiores nomes da indústria de tecnologia, têm sido acusadas de práticas que, segundo seus críticos, estariam limitando a competição no comércio eletrônico e levando ao fechamento de milhares de pequenos empreendimentos. Nesta quarta-feira, para defender a atuação de suas empresas, os CEOs das quatro, reconhecidas como líderes em inovação, apelaram a um argumento pouco inovador: o patriotismo americano.

Jeff Bezos (Amazon), Mark Zuckerberg (Facebook), Sundar Pichai (Google) e Tim Cook (Apple) foram ouvidos em uma sabatina realizada pelo Congresso dos Estados Unidos. Em diferentes momentos, os quatro executivos sustentaram que suas empresas são feitas por americanos, para americanos. Foi uma forma indireta de dizerem que o gigantismo de suas companhias é bom para o país – e também reflete o protagonismo global dos EUA.

A fala de Bezos, que nunca havia sido sabatinado pelos congressistas, era a mais aguardada. O fundador da Amazon, hoje também o homem mais rico do mundo, mencionou a “confiança” que os americanos têm na empresa. “Nós precisamos que trabalhadores americanos entreguem produtos a consumidores americanos”, disse ele em sua manifestação inicial.

Tim Cook mencionou o número de empregos que a Apple ajudou a criar nos Estados Unidos. “A Apple é uma empresa americana única, e seu sucesso só é possível neste país”, afirmou. Sundar Pichai também recorreu ao argumento de que os EUA são a terra da oportunidade (“nosso trabalho não seria possível sem a longa tradição da inovação americana”, disse) e citou o fato de a maior parte dos postos de trabalho do Google estar no país. “Empregamos mais de 120 mil googlers em todo o mundo. Mais de 75 mil estão aqui nos EUA, em escritórios e data centers em 26 estados.”

O fundador e CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, por sua vez, apelou à disputa entre EUA e China pela supremacia tecnológica global para mostrar o peso das empresas convocadas pelos congressistas. “Se você for olhar de onde são as principais empresas de tecnologia, há uma década a grande maioria era americana”, disse ele. “Hoje, quase metade é chinesa.”

Investigação em andamento

Alguns dos principais líderes do Congresso americano iniciaram há mais de um ano uma investigação para determinar se as quatro empresas abusam de seu poder econômico e sua liderança no comércio digital. A sabatina desta quarta não foi o ponto final desse trabalho, mas tem sido considerado um de seus momentos de maior temperatura. Essa foi a maior audiência do gênero desde que Bill Gates, da Microsoft, foi ouvido pelo Congresso em 1998.

Para registro: em 1998, o Departamento de Justiça processou a Microsoft alegando que a companhia estaria ferindo a lei antitrustre para ampliar sua liderança no mercado de computadores pessoais. O processo foi movido pelo governo americano e liderado por David Boies, um advogado americano. Ele não quebrou a Microsoft, como chegou a se alegar na época. Hoje, ele é tido como um dos fatores que levaram ao boom tecnológico do Vale do Silício. Além disso, segundo o próprio Bill Gates, impediu que a companhia fosse hoje a líder em sistemas operacionais de celulares (ironicamente dominado pelo Android, do Google, uma das investigadas pelo Congresso).

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