Se a Kodak quer ser startup de saúde, ela tem um modelo: a Fujifilm

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O declínio da Kodak é um dos casos mais conhecidos de empresa que não soube se adaptar à digitalização dos negócios. Mesmo tendo criado a primeira câmera fotográfica digital, a companhia preferiu concentrar suas operações em seu principal filão, o de filmes fotográficos – e ficou pelo caminho com o avanço dos smartphones e das máquinas que ela própria criou, mas não quis explorar.

A produção de filmes fotográficos exige grande domínio de compostos químicos. Com a pandemia, a Kodak decidiu que chegou a hora de ela se dedicar de vez aos setores de saúde e farmacêutico. A Fujifilm, uma concorrente de longa data, conhece bem esse movimento, mas com uma diferença: ela tomou esse rumo já faz quase duas décadas.

No início dos anos 2000, a Fujifilm percebeu que o mercado de filmes fotográficos estava com os dias contados e passou a desenhar uma estratégia de diversificação. A partir de sua longa experiência com fotografia e compostos químicos, a empresa passou a criar produtos usados em telas de LCD, computadores e equipamentos para exames de imagem. O ramo de cosméticos foi outro que ela explorou a partir de suas inovações na área química.

Novo livro

Essa história está em um livro que acaba de ser lançado no exterior. Never Stop: Winning Through Innovation (“Nunca Pare: Vencendo Pela Inovação”, em tradução livre) foi escrito a quatro mãos entre Shigetaka Komori, CEO da Fujifilm desde o início da transição, e ninguém menos que Philip Kotler, considerado o maior nome do marketing corporativo no mundo.

“Há alguns anos, li a notícia de que a Kodak estava quebrada. Se isso aconteceu com a Kodak, imaginei que o mesmo tinha ocorrido com a Fujifilm. Afinal, as duas estavam no mesmo negócio, o de filmes fotográficos”, lembrou Kotler em uma entrevista concedida nesta quinta-feira (6/8) à Asian Productivity Organization, entidade de cooperação econômica formada por países asiáticos. “E a verdade é que a Fujifilm estava viva, bem – e lucrativa.”

Um dos fatores centrais para o sucesso da transição feita pela Fujifilm foi a liderança de Shigetaka Komori, segundo Kotler. O professor afirma que a empresa deu pesos iguais à inovação e ao marketing. Se uma dessas frentes tivesse tido preferência em relação à outra, acredita ele, a transformação da companhia teria naufragado. (A íntegra da entrevista de Philip Kotler está disponível neste link.)

Para investir na área da saúde, a Kodak conseguiu um empréstimo de US$ 765 milhões do governo americano. O acordo, anunciado há pouco mais de uma semana, levantou suspeitas e já está sendo investigado pela SEC, órgão que regulamenta o mercado de capitais nos Estados Unidos.

Eis um contraste: em junho, enquanto a Kodak negociava com o governo um empréstimo cercado de desconfiança, a Fujifilm anunciava um investimento de quase US$ 1 bilhão para ampliar a capacidade de produção da Diosynth Biotechnologies. A empresa dinamarquesa, comprada pela Fujifilm em 2019, vai aumentar a produção de remédios usados no tratamento de pessoas infectadas pela covid-19.

Clique aqui e leia no Vida de Empresa histórias sobre como as companhias estão enfrentando o coronavírus.

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