Além da Quero-Quero: varejistas de peso que o Sudeste desconhece

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Em seus primeiros dias, a abertura de capital da Quero-Quero, rede de varejo de materiais de construção que atua na Região Sul, tem sido considerada bem-sucedida. A companhia levantou quase R$ 2 bilhões em sua oferta pública inicial de ações, realizada no último 6/8, e seu papéis fecharam em alta de 1,11% nesta segunda-feira (10/8), em seu primeiro dia de negociações na B3.

O sucesso da operação tem surpreendido alguns investidores. Muitos não conheciam a empresa, que tem quase 350 lojas, mais de 50 anos de existência e faturou R$ 1,6 bilhão em 2019. Essa aparente “surpresa” mostra um fenômeno recorrente: a distância (não apenas física) entre os grandes centros financeiros do Sudeste e a atividade econômica de outras regiões do país.

Na esteira do IPO da Quero-Quero, o Vida de Empresa reuniu alguns nomes de peso do varejo brasileiro com vendas igualmente bilionárias e que, assim como a rede fundada em Santo Cristo, no Rio Grande do Sul, não atuam no Sudeste. As empresas a seguir não têm operações físicas na região – e, em vários casos, esse interesse sequer existe.

Grupo Mateus

Origem: Maranhão

O Supermercado Mateus foi fundado em Balsas, no Maranhão, em 1986, na esteira do desenvolvimento do agronegócio na região sul do estado. O grupo cresceu, e hoje atua também como varejista de móveis e eletrodomésticos, além de ter entrado nos segmentos de atacarejo, panificação, distribuição de remédios e construção. Entre as operações de varejo e atacado (com a bandeira Armazém Mateus), hoje a empresa está em cinco estados (Pará, Piauí, Tocantins e Bahia, além do Maranhão). Segundo seu balanço, o Grupo Mateus fechou 2019 com receita líquida de R$ 8 bilhões.

Armazém Paraíba

Origem: Piauí

Embora tenha aberto sua primeira loja em Bacabal, no Maranhão, a rede Armazém Paraíba é considerada hoje uma empresa piauiense: a sede do Grupo Claudino, surgido a partir do Armazém, está em Teresina desde os anos 60. Ao longo das décadas, a diversificação dos negócios levou o grupo a entrar em ramos que vão do beneficiamento de carne à construção civil, da publicidade à fabricação de bicicletas. Em 2018, o Armazém Paraíba teve faturamento bruto de R$ 5,4 bilhões, segundo a Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SVBC). Na edição mais recente do ranking da entidade, a empresa piauiense aparece como 22ª maior varejista do país, considerando todos os setores. No segmento de lojas de departamento, artigos do lar e mercadorias em geral, ela é a quarta maior.

Grupo Líder

Estado de origem: Pará

A maior rede de supermercados do Norte do país teve faturamento bruto de R$ 3,2 bilhões em 2019. Essa receita faz dela a 12ª maior do setor no país, segundo a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) – e a única representante da região entre as 20 maiores do ranking da entidade. O grupo atua exclusivamente no Pará, mas não se restringe aos supermercados. Entre outras atividades, suas operações incluem redes de lojas de departamentos (Magazan) e de farmácias (Farmalíder), cartão (Liderzan), factoring (Fomento Mercantil) e programa de relacionamento (Superpontos).

Lojas Colombo

Origem: Rio Grande do Sul

Com sede em Farroupilha, no Rio Grande do Sul, a rede de lojas de móveis e eletrodomésticos completou 60 anos de fundação em 2019, quando registrou receita bruta de R$ 1,5 bilhão. Suas mais de 240 lojas estão distribuídas por 191 cidades dos três estados do Sul. Nas últimas décadas, a empresa diversificou suas operações. O Consórcio Colombo, sua administradora de consórcios, surgiu em 1987, e a Crediare, que oferece crédito para a compra de eletros e móveis aos clientes da rede, em 2003.

Novo Mundo

Origem: Goiás

Fundada em Goiânia em 1956, a varejista de móveis e eletroeletrônicos concentra a maior parte de suas quase 150 lojas na Região Centro-Oeste. Elas estão distribuídas em nove estados e no Distrito Federal – a única loja no Sudeste fica em Paracatu, cidade mineira que faz divisa com Ipameri e Cristalina, ambas em Goiás -, mas a empresa tem plano de expansão para chegar também a Mato Grosso do Sul, Ceará, Tocantins, Acre e Rondônia. A Novo Mundo fatura cerca de R$ 1,5 bilhão por ano.

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