Lições de responsabilidade social de empresas de Noruega e Suécia

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A responsabilidade social é um diferencial competitivo, que fortalece também os negócios das empresas. A constatação pode ser feita a partir do trabalho de quatro companhias e organizações da Noruega e da Suécia que atuam no Brasil. SKF, Statkraft, Yara e Kolibri CARF falaram sobre suas experiências em um debate online organizado nesta quarta-feira (12/8) pela Câmara de Comércio Sueco-Brasileira (Swedcham) e pela Câmara de Comércio Norueguesa no Brasil (NBCC).

As discussões, mediadas por Juliana Meyer Gottardi, vice-presidente da NBCC, tiveram a participação também de Camilla Høgberg-Hoe, chefe adjunta da Embaixada da Noruega, e Ciro Dias Reis, CEO da Imagem Corporativa, consultoria de comunicação responsável pelo site Vida de Empresa. “Temos um desafio: acelerar a adoção de medidas capazes de transformar a sociedade”, disse ele.

A seguir, algumas das iniciativas apresentadas no debate:

SKF: estratégia para os próximos 100 anos

Os conceitos de economias circular, social e colaborativa formam a base dos esforços em responsabilidade corporativa da centenária fabricante de rolamentos sueca. Eles aparecem, na prática, em iniciativas como a de reutilização de óleo e de monitoramento de máquinas de clientes, com o qual se detecta falhas antes que elas aconteçam. A reutilização de equipamentos ajuda na economia de energia e de água.

A empresa também está trabalhando para zerar as emissões de carbono de todas as suas fábricas no mundo até 2030. “As economias circular, social e colaborativa se conectam. O trabalho com responsabilidade social vai sustentar a SKF nos próximos 100 anos”, afirma Giane Camargo, coordenadora de marketing da companhia no Brasil.

Yara: responsabilidade social cresceu na pandemia 

Ana Pais, líder de comunicação corporativa da Yara Brasil, conta que a responsabilidade social está na pauta da companhia desde que ela passou a atuar no país, nos anos 70. Mas, com a pandemia, esses esforços se multiplicaram. Eles incluem de distribuição de cestas básicas à compra de equipamentos hospitalares, de medidas de apoio a pequenos produtores rurais à doação de máscaras. Os investimentos já somam R$ 5 milhões.

Há iniciativas, ao todo, em 65 diferentes comunidades de todo o país. Elas têm sido desenvolvidas em parcerias que a produtora norueguesa de fertilizantes criou com entidades como organizações não-governamentais e secretarias municipais de saúde. “A pandemia mostrou como é importante atuar com redes de colaboração”, afirma a executiva.

Statkraft: comunidades e empresas mais próximas

A companhia norueguesa de geração de energia adotou no Brasil uma série de medidas de apoio ao combate à covid-19. Essas ações incluem a doação de recursos ao Sistema Único de Saúde (SUS) para a produção de testes moleculares para a detecção do coronavírus. A Statkraft doou ainda alimentos e kits de higiene e saúde nos estados em que ela atua (Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro e Santa Catarina).

Mas os esforços da Statkraft em responsabilidade social ocorrem desde sua chegada ao Brasil, em 2008. No ano passado, a companhia ampliou esse trabalho ao apoiar, com leis de incentivo, projetos em áreas como cultura e esportes. Cristiane Santana Silva, gerente de sustentabilidade da Statkraft, reforçou a importância de as empresas tornarem seus projetos conhecidos pelas comunidades locais. “Isso gera valor compartilhado”, afirma ela.

Kolibri CARF: é possível (e necessário) fazer mais

Muitas empresas acham que “já fazem sua parte” em responsabilidade social com a geração de empregos e pagamento de impostos, diz Peter Munck, representante da Kolibri CARF. A organização norueguesa, de apoio a crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social, é parceira da Rede Cultural Beija-Flor, que atua em comunidades carentes de São Paulo (Juliana Meyer Gottardi, vice-presidente da NBCC, é presidente do conselho da organização brasileira).

No entanto, é possível – e necessário – fazer mais, diz Munck. Em 2017, segundo ele, cerca de 750 mil empresas cumpriam os requisitos (recolher imposto de renda pelo lucro real e estar com tributos em dia) para apoiar projetos utilizando leis de incentivo. “Dessas, só 0,5% utilizaram esse tipo de incentivo”, conta.

O debate organizado por Swedcham e NBCC está disponível neste link.

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