Com petróleo, Guiana fica mais “rica”, mas desenvolvimento segue distante

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Nenhum país do mundo vai crescer mais que a Guiana em 2020. Em pleno ano da crise do novo coronavírus, o produto interno bruto (PIB) dessa ex-colônia inglesa, vizinha do Brasil, deve aumentar 52,8%, segundo a projeção mais recente do Fundo Monetário Internacional (FMI). Se, por um lado, o país será, sob a pandemia, o campeão mundial de crescimento econômico, por outro lado, ele tem mostrado, na prática, que riqueza mineral não é sinônimo imediato de desenvolvimento.

A Guiana começou sua produção comercial neste ano, após uma série de descobertas de reservas. Entre 2015 e o último mês de janeiro, a ExxonMobil, principal companhia petrolífera com atuação no país, tinha anunciado nada menos que 16 descobertas de petróleo nas águas oceânicas guianesas. Mais recentemente, no fim de julho, a empresa informou que uma das descobertas tinha levado, na verdade, a duas novas reservas de óleo.

Com as descobertas, as jazidas do país, que tem menos de 800 mil habitantes e área equivalente à do estado do Paraná, estão estimadas hoje em 8 bilhões de barris. (Para efeito de comparação, o Brasil, 15º no ranking internacional de reservas, tem, estimados, 12,7 bilhões.)

Instabilidade política e corrupção

No entanto, o caminho para que o tesouro mineral se transforme em desenvolvimento efetivo ainda parece longo. Um dos motivos é a crônica instabilidade política. O país realizou eleições presidenciais em março, mas o resultado só foi anunciado no início de agosto. Foram mais de cinco meses de impasse e contestações tanto de governistas quanto de oposicionistas, que acabaram vencendo. Organizações como a Transparência Internacional também alertam para os altos níveis de corrupção locais.

“Outra lição, que já foi dada por outros grandes produtores da América Latina, é a importância da diversificação da economia“, registra a Petroleum Economist. A revista lembra o caso do Equador: o país começou a produzir petróleo em 1972, e a expectativa era de que esse fosse um marco de transformação de sua economia. Mas, após uma década de crescimento do PIB, o país tornou-se cada vez mais dependente da receita trazida pela commodity. O crescimento ocorreu, mas, sem diversificação da atividade econômica, o desenvolvimento ficou pelo caminho.

Não é demais lembrar: a Venezuela, que hoje está com sua economia em frangalhos, tem as maiores reservas de petróleo do planeta. Os problemas venezuelanos se acentuaram a partir de 2014, quando começaram as sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos, mas, com diferentes intensidades, as crises – sob governos de direita e de esquerda – têm se sucedido há quase 40 anos.

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