As diferenças entre o boom de IPOs de 2020 e o de 2007

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Se o ritmo atual se mantiver, o mercado de capitais brasileiro deve registrar um volume recorde de lançamentos de novas ações na B3. Nesta quarta-feira (2/9), havia 83 pedidos de ofertas registrados na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), sendo 43 ofertas iniciais (os chamados IPOs) e 40 ofertas secundárias. Em número de lançamentos, o recorde atual foi estabelecido em 2007, quando ocorreram 64 IPOs. Quando consideradas as ofertas secundárias, foram, ao todo, 76 lançamentos de ações naquele ano.

O mercado aquecido de 2020 – a despeito de um cenário de crise econômica, pandemia e índices elevados de desemprego – atraiu nomes como a plataforma de comércio colaborativo Enjoei. Em anos recentes, quando os IPOs rarearam, seria difícil apostar que um brechó eletrônico, que nasceu a partir de um blog, chegaria à bolsa. Pois, nesta terça (1°/9), o Enjoei registrou seu pedido de IPO, em uma operação que pode avaliar a startup em R$ 2 bilhões.

Há um boom em 2020, assim como houve em 2007, mas os cenários da economia, dos negócios e o próprio perfil do mercado de capitais brasileiro não são equivalentes – e a diferença não está apenas no surgimento do coronavírus. O Vida de Empresa apresenta a seguir algumas das principais diferenças entre os dois momentos:

Juros

A Selic, taxa básica de juros da economia brasileira, começou 2007 em 13,75%, mas, com sucessivas reduções, encerrou o ano em 7%. Ainda assim, tratava-se de um nível era bem superior aos atuais 2%, o menor nível na história. Como os juros baixos reduzem também o rendimento das aplicações que pessoas e empresas fazem em produtos de renda fixa, considerados mais “seguros”, os investidores precisam buscar alternativas mais rentáveis, mesmo que um pouco mais arriscadas. A busca pela bolsa de valores entra nesse raciocínio de diversificação.

Acesso à internet

Nesses 13 anos, o acesso à internet se disseminou no Brasil. Em 2007, menos de 40 milhões de pessoas com 16 anos ou mais acessaram a internet no país, número que passou a 134 milhões em 2020. Outro fator que mudou ao longo desse tempo foi o início do domínio dos smartphones, que ainda eram novidade naquele ano.

Comércio eletrônico

Com o aumento dos serviços de banda larga, a chegada dos smartphones e também o avanço das compras online durante a pandemia, o faturamento do comércio eletrônico no país avançou de maneira expressiva. Em todo o ano de 2007, as vendas do e-commerce brasileiro somaram R$ 6,3 bilhões. Já em 2020, apenas no primeiro semestre, elas chegaram a R$ 38,8 bilhões.

Investidores estrangeiros

Nos IPOs de 2007, os investidores estrangeiros foram maioria: eles responderam por cerca de dois terços das compras de papéis nas ofertas públicas iniciais daquele ano. Já em 2020, os investidores estrangeiros ficaram, até julho, com 36% das novas ações (tanto as de IPOs quanto as dos chamados “follow-on”, ofertas de novos papéis feitas por empresas que já são negociadas na bolsa) lançadas na bolsa brasileira neste ano. A fatia equivale a R$ 14 bilhões.

Pessoas físicas na bolsa

Em parte por causa da redução dos juros, a participação de pessoas físicas na bolsa é maior hoje do que há 13 anos. Havia 456,5 mil pessoas físicas na bolsa brasileira no fim de dezembro de 2007, número que chegou a 2,9 milhões em agosto de 2020, um recorde, segundo as estatísticas da B3.

PIB e emprego

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a economia brasileira cresceu 6,1% em 2007, ano em que o desemprego foi de 7,4%, o menor nível na série histórica até aquele momento. Já em junho de 2020, a taxa de desemprego chegou a 13,3%. Analistas de mercado consultados pelo Banco Central preveem queda de 5,28% do produto interno bruto (PIB) deste ano.

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