Pandemia acelera busca por produtividade na América Latina, diz Banco Mundial

Empresas da região terão que se adequar mais rapidamente para nova realidade, onde setor de serviços tende a ser mais pressionado

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O Banco Mundial lançou nesta segunda-feira (28.09) o relatório “Efeito Viral: Covid-19 e a transformação acelerada do emprego na América Latina e Caribe”, com um alerta de que na região a busca por produtividade se tornou mais urgente com a pandemia do novo coronavírus. Segundo o documento, a crise sanitária escancarou deficiências econômicas na região, que precisam de um choque de rendimento, inclusive para garantir que as empresas mais eficientes da região continuem a ter um bom panorama global.

“Infelizmente, a crise econômica associada à pandemia acelerou essas tendências (de risco de desemprego tecnológico na região), antecipando o futuro e, consequentemente, tornando mais urgente a necessidade de reformas econômicas que promovam a criação de mais e melhores empregos. Por um lado, isso exige que a região dê um salto de produtividade. Será necessário investir em infraestrutura inteligente, adotar novas tecnologias, promover a concorrência e melhorar a qualidade de nossos produtos, além de eliminar as distorções de mercado que impedem o crescimento das empresas mais produtivas”, destaca o relatório. 

Para obter este salto de produtividade, os autores do estudo  — Guillermo Beylis, Roberto Fattal Jaef, Michael Morris, Ashwini Rekha Sebastian e Rishabh Sinha —  indicam que a crise mais forte na região evidenciou o desemprego e vulnerabilidades na região e estas só serão resolvidas com uma visão estratégica de governos e empresas. Para eles, o investimento em educação é essencial neste contexto, onde não se vislumbra um cenário externo favorável, que permitiu à região a “década dourada” (2003-2013), como cita o banco. 

“A região precisa encontrar fontes internas de crescimento, o que sugere que a prioridade deve ser dada a um programa de reforma com foco no crescimento da produtividade. Ao mesmo tempo, o mundo enfrenta as grandes oportunidades e desafios que surgem com as novas tecnologias da Quarta Revolução Industrial. O surgimento de tecnologias de automação, que ameaçam destruir um número substancial de empregos e causar desemprego em massa, suscita particular preocupação entre os formuladores de políticas e os trabalhadores”. 

Setor de serviços em alta

Partindo do estudo de 2017 que indicou que 47% dos empresas do EUA podem acabar no futuro com as inovações tecnológicas, o relatório de 118 páginas do Banco Mundial afirma que muitos destes empregos poderão não desaparecer totalmente, mas que os trabalhadores, cada vez mais, irão interagir com máquinas e tecnologias, e para isso é preciso adaptar a mão de obra e as empresas. “Dito isso, a região enfrenta um futuro em que o setor de serviços continuará crescendo e será a principal fonte de geração de empregos. Nesse ínterim, a região terá de remediar a falta de compreensão do papel complexo que o setor de serviços desempenha na produtividade, valor agregado e criação de empregos. No nível agregado, o setor de serviços apresenta menor crescimento da produtividade do que o setor industrial. No entanto, o setor é composto por um conjunto altamente diversificado de subsetores que diferem significativamente em seus níveis de produtividade e taxas de crescimento, e até mesmo no uso de mão de obra qualificada”.

O documento indica que alguns setores de serviços tendem a ter mais espaço para crescimento e serem alavancas para os países da região: telecomunicações, finanças e logística. Os autores ainda alertam que a indústria tenderá suas funções cada vez mais próximas à realizada hoje pelos serviços. 

Exportação de serviços qualificados

A pandemia serviu para derrubar de vez algumas barreiras físicas do trabalho. E se isso, em um primeiro momento, se apresenta como uma ameaça, deve ser visto como oportunidade para a região. Se houver boa infraestrutura tecnológica e adequado nível de trabalhadores, as empresas com boa produtividade poderão exportar serviços a outros países. “Com o surgimento de plataformas digitais que permitem aos trabalhadores oferecer mão de obra remotamente e sem limites impostos por fronteiras, o estabelecimento de marcos regulatórios regionais comuns pode estimular aumentos significativos de produtividade em toda a região e impulsionar a criação de novas atividades empresariais e empregos”, afirma o documento.

Educação para adultos e treinamento

O trabalho do Banco Mundial conclui com um alerta: é preciso também treinar e educar adultos para reduzir a distância da região com os países avançados e impedir que os efeitos perversos da Covid-19 na economia se ampliem nas empresas e nos países da região. “Esses resultados apontam para uma conclusão clara: investir no capital humano da força de trabalho deve ser uma prioridade para os formuladores de políticas. Embora investir na educação infantil gere o maior retorno do investimento, ainda há espaço para melhorias em todas as dimensões do sistema educacional. O que pode se tornar mais importante à medida que novas tecnologias de automação são adotadas nos países da América Latina e do Caribe são os programas de educação de adultos e treinamento profissional”.

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