Insead aponta ferramentas para transformar suas ideias em realidade

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Um artigo publicado na prestigiosa escola de administração europeia Insead apontou quais ferramentas são necessárias para transformar uma inovação em uma inovação bem-sucedida. O objetivo é ajudar empreendedores a superar o chamado “paradoxo do inovador”, que estabelece que quanto mais nova, radical ou arriscada for a ideia, mais difícil será adquirir os recursos necessários. “A boa notícia é que você não precisa ser um vendedor nato para superar essa barreira”, informa o professor de estratégia Nathan Furr em seu texto.

O artigo foi baseado em mais de cem entrevistas  com líderes inovadores, incluindo nomes como Jeff Bezos (Amazon), Elon Musk (Tesla e SpaceX), Marc Benioff (Salesforce.com), Shantanu Narayen (Adobe), Indra Nooyi (PepsiCo), Mark Parker (Nike) e Jeff Weiner (LinkedIn), e utilizou vários estudos de caso para destilar as ferramentas e práticas que os ajudaram a convencer patrocinadores, clientes, funcionários e patrocinadores. Com base nestas conversas, o autor publicou esta lista de ferramentas:

1 – Fazer comparações

Analogias e comparações ajudam a vender uma ideia a investidores. De acordo com o texto, a Zipcar, de Robin Chase, só deslanchou no ano 2000, quando o criador do sistema comparou a ideia de carros compartilhados com caixas eletrônicos. Chase conquistou interessados em investir em seu projeto quando mostrou que o serviço oferecido pela Zipcar promoveria uma revolução no setor de transporte, assim como os caixas eletrônicos transformaram os bancos. “Os investidores se perguntavam: ‘será que a Zipcar pode transformar o aluguel de automóveis da mesma forma que os caixas eletrônicos transformaram os bancos?’, afirma o texto. O resultado é que o negócio deu tão certo que foi comprado em 2013 pela Avis por 500 milhões de dólares.

2 – Materializando

Mais que ideias abstratas, as pessoas são programadas para responder e lembrar as coisas tangíveis que podem ver. Portanto, ter um protótipo físico de um produto inovador já é meio caminho andado para vencer resistência e garantir uma venda. Um exemplo disso é Musk (Tesla-SpaceX), que em 2003 estacionou um protótipo dos foguetes reutilizáveis ​​que sua empresa SpaceX planejava fazer do lado de fora do Museu Nacional do Ar e Espaço dos Estados Unidos. Resultado da manobra ousada? Musk conquistou o interesse da NASA, que até então havia descartado a ideia de foguetes reutilizáveis. O que até aquele momento era visto como piada pela NASA, ganhou a atenção por meio do protótipo. Depois disso, a agência espacial americana enviou uma equipe à base da SpaceX no Sul da Califórnia e ficou devidamente impressionada. Na década seguinte, a NASA investiu 140 milhões de dólares em 70 voos da SpaceX. Em maio de 2020, a SpaceX enviou dois astronautas da NASA para a Estação Espacial Internacional no primeiro voo espacial tripulado comercial. Musk é hoje o segundo mais rico do mundo e o grande passo para essa jornada de sucesso foi dar um peso tangível ao seu produto. 

3 – Narrativa

Não basta ter um produto inovador, é preciso contar sua história. Neste sentido, criar uma conexão emocional, a partir de cases pessoais, com personagens, conflitos e resoluções tendem a ser bem-sucedidas. Um exemplo disso é o de Vanessa Quigley e seu marido, que em 2013, criaram um aplicativo para tornar mais fácil para as famílias compartilharem fotos, mas ele travava com frequência. Felizmente, Quigley também era um grande contador de histórias. Em seu discurso para Gavi Christensen, o sócio-gerente do Kickstart Seed Fund, ela se lembrou do dia em que encontrou seu filho em lágrimas por causa de um álbum de fotos que sua professora de jardim de infância havia feito para ele. Ela descreveu a culpa que sentiu por nunca ter compartilhado com seu filho ou outros membros da família as muitas fotos que tinha dele. Dois anos depois de obter financiamento do Kickstart Seed Fund em 2013, a empresa alcançou receitas anuais de mais de 30 milhões de dólares.

4 – Sinalização

Pouco antes da crise financeira de 2008, Brad Jones, um executivo do ANZ Bank da Austrália, criou uma plataforma de dinheiro móvel chamada Wing Cambodia voltada para cambojanos de baixa renda sem contas bancárias. Preocupado com a possibilidade de o banco interromper sua iniciativa de cortar custos, Jones convenceu o chefe de responsabilidade social corporativa do ANZ a apresentar o Wing Cambodia no relatório anual do banco. Ele também obteve uma bolsa do governo australiano para apoiar o empreendimento. Esses movimentos sinalizaram efetivamente para os investidores que o empreendimento de Jones foi endossado e apoiado pelo governo australiano. 

5 – Pressionando

O medo de perder oportunidades, ou “fOMO”, na sigla em inglês,  é um motor poderoso. A ideia é simples e antiga: as pessoas querem o que as outras desejam e são atraídas por itens que são escassos ou difíceis de obter. Converse com vários patrocinadores, funcionários ou parceiros em potencial em paralelo, em vez de um após o outro, e deixe-os saber que eles não são os únicos com quem você está conversando. Idealmente, almeje supostos apoiadores que sejam suficientemente diferentes uns dos outros. A diversidade ajuda a reduzir a possibilidade de prever como os outros agiriam.

6 – Comprometimento

Sua ideia é tão boa a ponto de você se comprometer com ela? Essa é uma mostra eficaz de viabilidade, segundo o autor do artigo. Denver Lough, por exemplo, deixou uma carreira bem-sucedida como cirurgião plástico para cofundar a PolarityTE, uma empresa iniciante que desenvolve métodos para células dos próprios pacientes regenerarem tecidos. Um investidor disse: “Eles estavam dispostos ao projeto que arriscaram tudo. Isso disse muito”.

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