Pandemia aumenta urgência de ações de saúde mental de empresas

Leia também

Fitch: Volta do crescimento não é suficiente para reparar as finanças públicas da América Latina

A Fitch Ratings publicou nesta terça-feira um relatório que serve de alerta para os países e empresas da região:  a retomada do crescimento econômico...

Autenticidade e transparência são chave nas crises de comunicação em tempos de redes sociais, dizem especialistas

Em um mundo de ativismo global e repercussões em tempo real, estar prevenido quanto aos eventuais problemas decorrentes de crises em um negócio é...

Como manter sua equipe motivada no home office?

Há um ano o trabalho remoto era um desafio para a sobrevivência de empresas e negócios no início da pandemia. A transição para o...

A saúde mental foi um dos setores que mais sofreu impactos na vida das pessoas com a pandemia. De acordo com a especialista em Recursos Humanos Audrey Paciello, diretora da área na  Fresenius Medical Care — líder mundial de produtos e serviços para pessoas com doenças renais —, antes mesmo da Covid-19, a saúde mental dos colaboradores das empresas despontava com grande intensidade, devido ao aumento constante de afastamentos por depressão, entre outros transtornos. Audrey falou com exclusividade com o Vida de Empresa.

Como a pandemia reforçou a preocupação com a saúde mental nos ambientes de trabalho?

A saúde mental dos empregados já era um tema que vinha sendo discutido com mais intensidade pelas empresas antes da pandemia, tendo em vista o aumento crescente dos números de pessoas atingidas por ansiedade, depressão e outros transtornos. Ainda se estuda o que vem provocando tal impacto, mas sabe-se que as novas tecnologias e as novas maneiras de as pessoas se relacionarem podem estar impactando, nesse mundo em que vivemos com excesso de informações. Se de um lado, a tecnologia facilita muito alguns aspectos do trabalho, da vida cotidiana, por outro, traz mais exigências, mais velocidade de realização, exige aquisição constante de novos conhecimentos, e até substitui mão de obra, produtos e serviços existentes, gerando insegurança. Aí veio a pandemia trazendo mais um turbilhão de emoções e sentimentos. Na Fresenius Medical Care, nós lidamos com os dois lados. Tínhamos empregados que podiam ficar em casa de home-office e o time da linha de frente, que atuava nas clínicas e hospitais, e tínhamos também empregados nas fábricas, produzindo insumos médicos, cuja produção não podia parar. De imediato, a preocupação com estas equipes foi a maior. Cuidamos muito para que pudessem atuar com toda segurança possível. E nós demos todo o suporte psicológico necessário, com empresa especializada prestando serviço de atendimento. Ficar em casa, trabalhar em home-office era um privilégio para equipes administrativas e as pessoas estavam muito gratas e contentes pela possibilidade, pela confiança que estava sendo depositada nelas, de que o trabalho seria feito com a mesma qualidade de antes. Mas tinha outros desafios, os filhos em casa, muitas pessoas sem ajuda doméstica, as famílias confinadas em espaços pequenos o dia todo, sem o lazer natural que tinham nos fins de semana. E uma preocupação enorme com familiares, sobretudo pais, tios, avós. Sabíamos que em algum momento isso poderia impactar também a saúde mental dos que estavam “mais protegidos” em casa.

Que tipo de dificuldades nesta área surgiram com o home office?

Além desses fatores que mencionei acima, da sobrecarga de tarefas, e de preocupações com amigos e familiares, com o passar do tempo é que pudemos perceber melhor que o distanciamento social também estava trazendo impactos. As pessoas se viam, ainda que virtualmente, mas sentiam a falta do sorriso, do olho no olho, do calor que as relações humanas presenciais trazem. Aquelas conversinhas corridas na hora do café, o almoço junto, uma informação divertida que alguém conta na sala, nada disso estava existindo mais. Então foi um somatório de emoções. O medo da doença, a falta das relações diárias, e ainda a dor pelos atingidos pela Covid. Não foi fácil. A rotina das pessoas era tão intensa que elas nem tinham tempo para conversar por telefone com amigos ou familiares. Fomos sobreviventes esse ano. Fora isso, surgiam outras dificuldades, como uma internet que não estava boa, o computador de casa que era mais lento, o barulho das crianças. As pessoas ficaram exaustas. Por isso, oferecemos um programa de meditação, incentivamos a prática de atividades físicas, inclusive em casa mesmo, oferecemos atendimento psicológico para questões de ordem profissional e pessoal. Ficamos e ainda estamos muito atentos. Até porque também temos um número elevado de mulheres em nossas equipes. Muitas estão com elevada carga de responsabilidades. 

Que falta faz o ambiente de trabalho, as trocas no cafezinho, na empresa?

Não fossem as dificuldades de deslocamento no trânsito, e o tempo que se perde com isso, e a falta de convívio diário com os filhos, acredito que boa parte das pessoas escolheria trabalhar fora de casa, nos escritórios. Gostamos de estar em grupo, gostamos de nos arrumar, andar, sair, ver novidades. As pessoas prejudicam os seus networkings, suas amizades. Até a comunicação fica prejudicada com a distância. Ajudamos a passar nossas mensagens com nossas expressões gestuais. Em nossos momentos mais difíceis, alguém chega e pergunta: como você está? E diz uma palavra de ânimo, carinho. São trocas muito valiosas no dia-a-dia. No ambiente de trabalho, surgem amizades que as pessoas levam para a vida toda.

Como as empresas devem encarar a saúde mental de seus colaboradores a partir de agora? 

Tem que ouvir as necessidades individuais. Não existem fórmulas prontas. O que é bom para um, pode não ser para o outro. Cada um sente de uma forma diferente. O que é bom hoje, pode não ser amanhã. Tudo é muito novo para todos. As pessoas ainda estão conhecendo a nova realidade e os desafios que chegam. Estamos todos aprendendo juntos a lidar com esta situação. Então penso que as empresas precisam estar dispostas a ouvir para encontrar as melhores soluções. E estarem dispostas a mudar. Mas tivemos um excelente aprendizado esse ano. Os resultados foram ótimos. Com todas as dificuldades, as pessoas deram o melhor de si. Não deixaram a peteca cair e foi incrível. Fomos todos heróis. Da nossa parte, é só gratidão. Salvamos muitas vidas e é isso que nos motiva e dá força para seguir a luta.

 

- Publicidade -

Outras notícias

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

- Publicidade -

Mais recentes

Fitch: Volta do crescimento não é suficiente para reparar as finanças públicas da América Latina

A Fitch Ratings publicou nesta terça-feira um relatório que serve de alerta para os países e empresas da região:  a retomada do crescimento econômico...

Como manter sua equipe motivada no home office?

Há um ano o trabalho remoto era um desafio para a sobrevivência de empresas e negócios no início da pandemia. A transição para o...

Autenticidade e transparência são chave nas crises de comunicação em tempos de redes sociais, dizem especialistas

Em um mundo de ativismo global e repercussões em tempo real, estar prevenido quanto aos eventuais problemas decorrentes de crises em um negócio é...

Modelo híbrido é o preferido para pós-pandemia para mais da metade dos trabalhadores, diz pesquisa

Como será o trabalho no pós-pandemia? Muitas instituições estão pesquisando e propondo modelos, dos mais diversos. A consultoria americana McKinsey & Company apresentou uma...

Estudo aponta a bioindústria como caminho para desenvolvimento sustentável da Amazônia

Há caminho para o desenvolvimento com sustentabilidade, e ele passa por pesquisa, desenvolvimento e pela bioindústria. Esta é a conclusão do estudo “Amazônia e...