“As regras vão mudar com o jogo acontecendo”, diz especialista em direito digital sobre 2021

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Mestre em Direito, Justiça e Desenvolvimento pelo Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP),  Pós-graduado em gestão jurídica, empreendedorismo e inovação e graduado pela FMU, Ricardo Freitas Silveira, advogado e e sócio da Lee, Brock, Camargo Advogados (LBCA) , especialista em Direito Digital e Inovação, afirma que os aprendizados da pandemia serão valiosos em 2021, quando “as regras vão mudar com o jogo acontecendo. Em entrevista ao Vida de Empresa, ele, que atua também como professor em cursos de graduação e pós-graduação da Fundação Instituto de Administração (FIA), acredita que, no pós-pandemia, precisamos ter plano de emergência aprimorado.

 O que a pandemia mudou no planejamento das empresas?

Enquanto advogado da área empresarial acompanhei o cenário de incertezas que permeou a rotina das empresas brasileiras  neste ano de crise sanitária e posso afirmar que quase tudo mudou. Isso acabou criando angústias e incertezas, mas também reflexões importantes sobre estarmos preparados para o impacto de novos fatos  sobre nossos negócios e saber como neutralizá-los. Nos saímos bem, quando do dia para noite tivemos de colocar todos os colaboradores em home office e foi necessário ampliar a segurança das normas de TI  para execução do trabalho remoto. Foi fundamental renegociar os contratos em curso e ampliar canais de comunicação para falar com os públicos interno e externo. No balanço desse final de ano, a maioria das empresas se saiu bem, embora a situação fosse totalmente nova exigindo respostas criativas. No próximo ano, quando começa o período pós-pandêmico, mesmo que tenhamos a vacina contra a Covid-19 no horizonte, o planejamento estratégico e orçamentário para 2021 ainda contém muita volatilidade. Temos de entender que as regras vão mudar enquanto o jogo está acontecendo. Portanto, os imprevistos devem ser mais bem trabalhados pela experiência que adquirimos em 2020  para prover um planejamento mais robusto, capaz de estabelecer diferentes cenários e  uma série de ações de curto, médio e longo prazos para buscar reduzir riscos para as empresas.

Planos de contingência precisam ser melhorados?

Durante a pandemia da Covid-19 tivemos de demonstrar grande flexibilidade, porque era preciso adotar ações emergenciais e continuar trabalhando, mantendo o ritmo e assegurando o bem estar e protegendo nossas equipes, os clientes, os parceiros negociais, a comunidade em que a empresa está inserida. Tudo isso, sem deixar de realizar as entregas aos clientes. No pós-pandemia, precisamos ter plano de emergência aprimorado, porque já entendemos que ações de prevenção e de controle precisam ser adotadas e quais funcionam melhor diante de possíveis crises. Toda situação extraordinária precisa ser mensurada, avaliada por um comitê de crise, para dar a resposta eficaz quando necessária.

A pandemia mudou o cálculo e riscos das empresas?

Sim,  porque o grau de incertezas cresceu muito, portanto os riscos foram ampliados na mesma proporção. Depois da pandemia do novo coronavírus, o nosso workflow vem incluindo novas variantes a que nosso negócio possa estar exposto. Isso exige uma mudança na cultura interna e, se o nosso serviço passou por mudanças, também preciso de profissionais que demonstrem afinidade com essa nova modelagem. Temos novas demandas, principalmente tecnológicas, que precisam ser identificadas e analisadas. Certamente, nesse novo cenário econômico,  implica em realizar um mapeamento de risco com muito mais variáveis, porque estaremos expostas a contingências externas sobre as quais a empresa não tem controle, como decisões das autoridades governamentais e sanitárias sobre seu negócio. Os planejamentos terão de sofrer ajustes à medida que a realidade for alterada.

Quais os desafios das empresas para 2021?

Ressalto cinco pontos principais. A economia brasileira, ao contrário das projeções, demonstrou sinais de recuperação mais efetivos diante da crise econômica gerada pela pandemia da Covid-19.  O PIB brasileiro no terceiro trimestre de 2020 cresceu 7,7% em comparação ao trimestre anterior, propiciando nossa saída da chamada recessão técnica, alguns setores apresentam resultados mais favoráveis, como saúde, agronegócio e tecnologia, com crescimento  previsto para este ano e o próximo.
A digitalização dos negócios também  deve continuar em alta, com a incorporação de novas ferramentas de inovação, que tornam as necessidades dos clientes mais presentes e com tempo mais curto para serem solucionadas. Precisamos ter muito mais agilidade para fazer nossas entregas, até porque a concorrência tende a se acirrar.
A Lei Geral de Proteção de Dados, que começou sua vigência este ano, terá suas sanções aplicadas  em 2021  e as empresas precisam efetivamente em conformidade com a LGPD para que não sejam alvos de um incidente de segurança, que possam colocar em jogo a reputação da organização e  gerar multas pesadas para o caixa nesse período difícil.
O trabalho híbrido também será uma tendência em 2021, buscando manter a produtividade e economia de recursos que vieram no  bojo da crise pandêmica , incorporando a manutenção da saúde mental  e física das equipes e buscando incorporar talentos mais diversos, que tragam novas habilidade,  incluindo mais profissionais mulheres, negros, LGBTI+, PcDs etc. Unificar competência técnica e capacidade de entrega será fundamental.
No quinto ponto, destaco uma grande aposta no crescimento da aplicação  da  Inteligência Artificial nos mais diferentes tipos de negócios, porque a IA vem demonstrando ser uma tecnologia ágil e econômica  com vasta aplicação, uma vez que  consegue analisar grande volume de dados, aprende sozinha e é capaz de criar modelos preditivos de resultados que podem ajudar no planejamento estratégico das empresas.

 

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