Estudo mostra que plataformas online reduzem chances de contratação de imigrantes

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Uma pesquisa publicada pela revista Nature mostra que recrutadores de empresas que usam ferramentas online para a seleção de candidatos têm 19% menos chances de contratar imigrantes e pessoas de minorias étnicas com as mesmas qualificações que os demais candidatos. O documento ‘Monitorando a discriminação na contratação por meio de plataformas de recrutamento online’, destaca que mesmo em situações em as pessoas desses grupos apresentavam grande experiência de trabalho, isso não foi suficiente para compensar a desvantagem de contratação.

Para a pesquisa, os dados foram coletados em 452.729 buscas por 43.352 recrutadores, bem como 17,4 milhões de perfis que apareceram nas listas de pesquisa e 3,4 milhões de visualizações de perfil. Os pesquisadores também analisaram o tempo que os recrutadores gastaram analisando cada perfil e suas decisões sobre entrar ou não em contato com um candidato a emprego. Dados coletados na plataforma de recrutamento online do serviço público da Suíça, por meio de ferramentas desenvoldidas por pesquisadores para monitorar a discriminação na contratação, utilizando algoritmos de aprendizado de máquina supervisionada e analisando o comportamento de busca dos recrutadores.

Segundo o Dr. Dominik Hangartner, co-autor do artigo e professor Associado de Ciência Política na London School of Economics and Political Science (LSE), o tratamento entre candidatos igualmente qualificados é diferente: “Nossos resultados demonstram que os recrutadores tratam candidatos a emprego idênticos que aparecem na mesma lista de pesquisa de forma diferente, dependendo de sua origem étnica imigrante ou minoritária. Sem surpresa, isso tem um impacto real sobre quem é empregado. ”

Apesar de indicar que há fatores discriminatórios nas plataformas online, a pesquisa avalia como improvável que a etnia seja usada como um atalho de seleção. 

Por outro lado, as análises dos dados mostram que em determinados períodos dos dia — minutos antes do meio-dia e pouco antes das 18h — os recrutadores gastam menos tempo olhando para os currículos, e, justamente, nesses períodos de avaliação rápida os grupos étnicos de minorias e imigrantes enfrentavam níveis de discriminação até 20% mais altos.

Para o Dr. Hangartner, os resultados sugerem que “preconceitos inconscientes, como estereótipos sobre minorias, têm um impacto maior quando os recrutadores estão mais cansados ​​e recorrem à tomada de decisão intuitiva”. Ele acredita, no entanto,  que um redesenho nessas plataformas de seleção online pode reduzir esse impacto. Lembrando que informações como experiência de trabalho e educação de um candidato, podem ser colocadas no topo, tirando do foco informações relativas ao gênero, nacionalidade e etnia.

O mesmo levantamento indica que as mulheres também aparecem em desvantagem, com menos de 7% de probabilidade de  serem contratadas ao se candidatarem para alguns cargos em profissões dominadas por homens. O oposto ocorreu com homens que se candidataram a vagas em indústrias dominadas por mulheres, tendo eles menor chance de contratação nesse caso.

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