Piores notícias sobre o Brasil na imprensa internacional estão na cobertura política: 65% das reportagens são negativas, aponta estudo

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O ano de 2020 será sempre lembrado como período de pandemia, mortes e milhões de contaminados, aguda recessão econômica, aumento do desemprego e um forte impacto social. No Brasil o cenário não poderia ser diferente, e algumas condições específicas do país levaram a uma forte exposição negativa no exterior, como mostra a cobertura da imprensa internacional.

Levantamento realizado pela Imagem Corporativa em parceria com o laboratório digital See Suite do Grady College of Journalism and Mass Communication da Universidade da Geórgia (EUA), entre os meses de janeiro e dezembro de 2020, analisou 6.498 textos publicados sobre os Brasil em meios de comunicação de grande circulação em 11 países. Esse trabalhou apontou que 54% daquelas notícias foram negativas. Dessa fatia, 2.766 notícias (39,5%) estavam relacionadas ao novo coronavírus, sendo que desse universo a cobertura teve viés negativo em 61% dos casos.

Diante de diversos fatos e repercussões negativas em diferentes dimensões da realidade brasileira ao longo de 2020, um índice de 54% de notícias negativas poderia até parecer pouco significativo.

Ocorre que ao mesmo tempo em que a imprensa internacional critica diferentes aspectos do cenário nacional (especialmente assuntos de responsabilidade do governo federal), jornalistas também destacam alguns fatos positivos (principalmente no âmbito empresarial), com isso equilibrando o resultado final”. É o que diz Ciro Dias Reis, presidente da Imagem Corporativa, empresa que desde 2010 vem acompanhando e medindo a cobertura internacional sobre o Brasil.

Exemplos disso: enquanto a abordagem do governo nas questões ambientais é fortemente atacada, há notícias sobre o avanço de energias alternativas no país; se de um lado há críticas sobre a falta de apetite do governo em organizar um plano nacional de combate à pandemia, também chegam ao noticiário as iniciativas de empresas, escolas de samba e outros grupos da sociedade civil para diminuir o impacto da crise na saúde. Algumas reportagens de viés positivo chegam até a surpreender, tais como as que destacaram a equalização no pagamento de atletas a serviço das seleções brasileiras de futebol masculina e feminina; ou notícias sobre o avanço do veganismo em um Brasil onde o consumo de carne é muito alto.

Mais: no aspecto econômico houve espaço para abordar os juros em patamares baixos; os crescentes investimentos no setor de telecomunicações; o aquecimento em diferentes segmentos no terceiro trimestre de 2020 em função do auxílio emergencial destinado às camadas mais carentes da população.

COBERTURA DE ECONOMIA MELHOR QUE A COBERTURA DE POLÍTICA

A cobertura da pandemia no Brasil contribuiu para que o noticiário focado em temas sociais  tivesse um tom predominantemente crítico: das 2.617 matérias publicadas com esse foco pela imprensa internacional, 60% tiveram teor negativo.

A pior situação, contudo, foi na cobertura dos temas políticos: neste caso, das 1.651 notícias sobre o país, 65% foram negativas.

O acompanhamento dos temas econômicos, por sua vez, apresentou um panorama diferente: 61% das 894 matérias nesse campo foram positivas.

E, mesmo diante da crise representada por queimadas históricas no Pantanal e o desmatamento recorde da Amazônia, ambos registrados no segundo semestre de 2020, o espaço destinado pela imprensa internacional aos temas ambientais foi relativamente pequeno: 314 notícias no total, sendo 51% positivas e 49% negativas. Para esse equilíbrio contribuiu a divulgação de ações sustentáveis de empresas brasileiras.

A chegada da Covid-19 ao país e a postura negacionista do presidente Jair Bolsonaro frente à pandemia colocaram o país em evidência em pautas negativas já a partir do fim do primeiro trimestre de 2020. Uma visão ainda mais crítica por parte da imprensa em relação a postura governamental na pandemia ganhou força no segundo trimestre, com a demissão do ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta e a visão de que o Brasil virou um dos epicentros globais da doença sem que um esforço nacional organizado para combater o problema fosse posto em prática. O avanço do novo coronavírus no segundo semestre e a contínua falta de respostas oficiais ao problema mantiveram o tom desfavorável da cobertura.

Outro tema que contribuiu para piorar a visão sobre o país na mídia internacional foi a demissão do então ministro da Justiça Sergio Moro, que tornou explícitos conflitos dentro do governo em função de tentativas de interferências em órgãos como a Polícia Federal.

A pesquisa feita em parceria pela Imagem Corporativa e SEE SUITE da Universidade da Geórgia revela que já no primeiro semestre do ano passado as publicações analisadas destacavam uma dificuldade do Brasil em administrar suas crises econômica, política e de saúde. Essa visão ampla do cenário nacional a partir de uma ótica negativa foi ampliada com o tratamento dado pelo presidente da República e organismos governamentais às práticas de distanciamento social e outras iniciativas destinadas à contenção do novo coronavírus. Questões ambientais, como a falta de ações práticas para combater o desmatamento recorde da Amazônia e as queimadas históricas no Pantanal também ganharam relevância no noticiário.

Ajudou a inflar as notícias críticas sobre o país o incentivo ao tratamento com cloroquina, droga sem qualquer comprovação científica de efeito sobre a doença.

Por outro lado, os esforços do Brasil na busca por vacinas e a realização de testes de dois imunizantes em território nacional criaram um contraponto no noticiário. Ainda assim, mesmo com gestões pró-vacina por alguns setores, o presidente fez críticas ao imunizante da Sinovac (Coronavac) e isso repercutiu negativamente lá fora.

As notícias mostrando uma forte identificação de Jair Bolsonaro com o ex-presidente Donald Trump se multiplicaram na imprensa americana no início de 2020. Independente de críticas ao brasileiro, o que se viu em paralelo foi o reconhecimento de um status especialmente relevante concedido por Trump a Bolsonaro, que se traduziu inclusive em sinalizações para cooperação militar entre os dois países. Essa proximidade entre os dois mandatários levou os Estados Unidos a “alertarem” o Brasil sobre os supostos riscos de uma eventual adoção da tecnologia 5G da empresa chinesa Huawei, tema de permanente preocupação do americano.

No entanto, a derrota de Trump trouxe ao Brasil o desafio de uma mudança de sua política externa. O assunto foi explorado pelos jornalistas em diferentes publicações, bem como a demora de Jair Bolsonaro em cumprimentar Joe Biden pela vitória.

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