Mulheres como mentoras de homens podem ajudar a resolver a desigualdade e o preconceito de gênero no local de trabalho

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Não há empresa relevante no mundo hoje que não se diga compromissada com a igualdade de gênero. Mas, mesmo assim, ano após ano se repetem os dados de que as mulheres ganham menos que os homens em funções semelhantes, dificuldades para a promoção feminina por questões alheias ao trabalho, como a possibilidade da profissional se tornar mãe, há menos mulheres em cargos de chefia e denúncias de preconceito em processos seletivos. Como fazer com que o discurso chegue à prática?

Pensando neste problema, Cindy Schipani, professora de negócios da Universidade do Michigan (EUA) sugere uma abordagem diferente: colocar mulheres, mesmo que hierarquicamente estejam ainda inferiores aos homens, para orientar e liderar homens em projetos e negócios.

Em um recente artigo, ela afirma que na prática algumas recentes conquistas femininas, como o movimento #Metoo contra o assédio sexual, acabou indiretamente inibindo profissionais homens de contratar mulheres nos EUA, por medo de serem acusados de abusadores no futuro. Apesar de haver uma conscientização de que é preciso mudar a desigualdade de gênero nos ambientes de trabalho, pouco se concretiza, devido, em parte, a problemas culturais.

Colocar mais mulheres na posição de mentoria de projetos e negócios pode ser um passo inteligente para quebrar essa inércia. “Esperamos que, se encorajarmos mais mulheres como mentoras de homens, talvez possamos gerar mais empatia, mais cooperação e apenas mais vontade de nos vermos como pessoas e de trabalharmos para o sucesso de todos”, disse Schipani, cujos principais interesses de pesquisa são em a área de governança corporativa, com foco no relacionamento entre conselheiros, diretores, acionistas e demais públicos de relacionamento.

Sua abordagem é que o conceito de “interação cooperativa” provou ser eficaz em muitos ambientes diferentes. Isso o leva à ideia de que, se as mulheres orientassem os homens, essa poderia ser uma maneira de resolver o problema? Diversas equipes tendem a ter um desempenho melhor e as pessoas tendem a ter uma postura de maior cooperação.

“Nosso pensamento é que as mulheres que tiveram sucesso em posições de liderança executiva podem modelar, para os homens mais jovens na escada corporativa, comportamentos de liderança que sejam adequados para ambos os sexos. Quando homens e mulheres trabalham juntos, eles aprendem mais uns sobre os outros, mais sobre os diferentes estilos de trabalho e ainda mais sobre os tipos de coisas pelas quais as mulheres passam”, afirma a professora.

O caminho, contudo, não é simples, reconhece Schipani. A falta de mulheres em posições de maior destaque nestas companhias é um obstáculo e a liderança da mulher em projetos não pode se tornar mais um fardo para ela, mais uma tarefa que se somará ao seu cotidiano.

Para ela, os ganhos de um ambiente mais justo é para todos. “Há uma grande quantidade de literatura sobre como é importante para as empresas ter lideranças diversificadas. Em segundo lugar, há o caso de justiça e equidade. É justo que as mulheres tenham oportunidades iguais de sucesso, e isso pode ajudar. E em terceiro lugar, há o caso em que as preocupações com falsas acusações podem ser exageradas. Verifique sua liderança para garantir que pessoas éticas estejam no comando e priorize uma cultura de trabalho com tolerância zero para o assédio sexual. Esperançosamente, uma cultura de trabalho positiva também mitiga as preocupações com falsas acusações”, afirmou.

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