2021 tende a ser mais turbulento para empresas que o primeiro ano da pandemia

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Além de toda a tragédia humanitária só comparável às piores guerras, 2020 foi marcado pela pior recessão desde o “crash de 1929”. Empresas faliram, empregos evaporaram, a fome cresceu e a desigualdade aumentou. O mercado financeiro, contudo, reagiu, a partir de meados do ano passado, na contramão da curva de mortes e contaminados, devido aos estímulos trilionários em todo o mundo que conseguiram evitar que o impacto econômico fosse ainda pior. Já no fim do ano, Bolsas de valores pelo mundo haviam recuperado suas perdas, em um ano que o PIB global mergulhou 4,2% no ano passado, segundo as estimativas da OCDE.

Analisando em perspectiva, 2020 foi um ano desafiador para empresas, negócios e investidores. Mas por incrível que pareça, 2021 tende a ser ainda mais difícil. Segundo especialistas, o ano que passou foi de fortes impactos, mas havia uma direção clara da crise sanitária, dos estímulos econômicos e das respostas em empresas e trabalhadores. Agora a situação está mais complexa, devido aos sinais trocados, tanto na saúde, que ao mesmo dia reporta avanços na vacinação em países desenvolvidos e variantes mais assustadoras nas nações em desenvolvimento, fortes divergências internacionais na economia e o risco de uma nova bolha financeira.

Na área de saúde, tirando poucas exceções como Israel, Reino Unido, Estados Unidos e Chile, a vacinação patina. Mesmo nos demais países da Europa ela está muito aquém do imaginado, em um cenário causado por falhas dos programas de imunização, ampliando o sentimento antivacina que é forte no continente, que está fechando novamente as atividades para enfrentar a terceira onda do novo coronavírus. Novas variantes mais infecciosas e provavelmente mais letais dificultam qualquer previsão, ainda mais por afetarem países como o Brasil, onde há o descontrole da doença e atrasos na vacinação.

Isso, por si, torna mais difícil a percepção de uma narrativa clara da pandemia, ampliando incertezas. Se em 2020 vimos poucas nações efetivamente controlarem a doença, como Nova Zelândia, Austrália, Islândia e a própria China, neste ano a divisão do mundo tende a ficar mais gritante entre os países que controlaram a pandemia e os demais que ainda sofrem com a Covid-19. Os impactos econômicos serão gritantes.

Com esse cenário sanitário, o mercado financeiro tende a variar entre momentos de euforia e pessimismo. Além disso, vai crescer o debate sobre a necessidade de ajustes econômicos. Nos EUA, o novo pacote de estímulo faz a conta chegar a US$ 5 bilhões, em um cenário de elevada liquidez e juros baixos, o que explicativa parte do otimismo do mercado acionário. A questão é se estas condições vão gerar inflação nos EUA, o que pode gerar uma correção de rumos e ajuste dos valores dos ativos.

Pequenas elevações nas taxas de juros dos “treasuries” (títulos do Tesouro Americano) já geraram forte movimentação nos mercados. Alguns analistas dizem que as bolsas podem estar prestes a estourar uma nova bolha, pois a cotação não encontraria fundamentos nos resultados das empresas ou nas expectativas futuras dos negócios. Isso poderia ter um efeito global, com reajustes de preços em todo o planeta, afetando investimentos, comércio, produção e empregos.

No Brasil, além do cenário ainda pior da pandemia, a situação fiscal inspira cuidados. Por si só desafiadora, há o temor que, por pressões políticas, o governo federal amplie os gastos públicos, tomando uma linha populista que pode ser fatal para os negócios. Além disso, a alta inflação no país, combinada com o desemprego recorde e a esperada nova leva de dificuldades das empresas com a piora da Covid-19, tornam o cenário ainda mais nebuloso.

Para as empresas a cautela pode ser um bom guia. Evitar apostas arriscadas ou movimentos bruscos. Aproveitar as lições de 2020 para planejar todos os cenários possíveis, e criar contingências para as piores previsões que, como a pandemia mostrou, pode se materializar. Aos investidores, a regra de ouro é a diversificação. Até a renda fixa, que deixou de ser atrativa no país, tem de ser considerada, devido à segurança que ela dá, e aplicações no exterior, cada vez mais facilitadas, funcionam como um seguro natural às eventuais turbulências do país.

 

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