Como usar a política monetária para enfrentar as mudanças climáticas? 

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A cada ano crescem as pressões por soluções que ajudem a controlar e combater as mudanças climáticas e um dos grandes entraves são os custos e impactos financeiros das alterações nos modelos de produção. Desta vez, quem surge com propostas para ajudar a melhorar a performance das ações pró-meio ambiente são os bancos centrais de 89 países. O documento apresentado pela Network for Greening the Financial System (NGFS), grupo formado para apoiar os objetivos do Acordo Climático de Paris, traz nove ações que buscam harmonizar aspectos da política monetária das nações com meios de enfrentamento aos impactos econômicos das mudanças no clima.

Um dos pontos destacados é como se proteger dos riscos dessas mudanças e apoiar as políticas verdes dos governos nacionais sem diluir suas principais ferramentas de política monetária. Segundo o estudo, cada opção foi avaliada quanto à sua eficácia no combate ao risco climático e ao seu impacto na política monetária. “As alterações climáticas trazem riscos importantes para os bancos centrais.  Este novo relatório do NGFS fornece propostas concretas sobre como os bancos centrais podem abordar os riscos climáticos na concepção de suas estruturas para a implementação da política monetária”, destacou Frank Elderson, presidente do NGFS e membro da Comissão Executiva do Banco Central Europeu.

Para a indicação dessas medidas, o relatório do NGFS baseia a sua análise em quatro critérios: Consequências para a eficácia da política monetária; Contribuições para mitigar as mudanças climáticas; Eficácia como medidas de proteção ao risco e Viabilidade operacional. Ou seja, ajustes nas estruturas dos bancos relacionadas ao clima são viáveis. Porém, essas adequações precisam superar uma série de desafios práticos e analíticos, incluindo lacunas de dados e incertezas com relação à quantificação de risco.

As preocupações com o  aquecimento global ganharam maior peso com a adoção do tema na agenda dos bancos centrais das principais economias do mundo, como por exemplo o Banco da Inglaterra que decidiu tornar sua política monetária mais verde e o Federal Reserve dos EUA recentemente decidiu aderir ao NGFS. 

Veja aqui os nove passos sugeridos:

Ajuste de preço (relação clima e contrapartidas) – Condicione a taxa de juros das facilidades de empréstimo do banco central ao volume de contrapartida. Leve em conta o quanto a parte está contribuindo para a mitigação das mudanças climáticas e/ou até que ponto estão descarbonizando seu modelo de negócios.

Ajuste os preços (relação com as garantias) – Cobrar uma taxa de juros mais baixa (ou mais alta) para as agentes que prometem uma proporção maior de baixo carbono (ou carbono intensivo) como garantia ou criar uma linha de crédito (potencialmente a taxas concessionais) acessível apenas contra ativos de baixo carbono.

Ajustar a elegibilidade – Tornar o acesso a (algumas) linhas de crédito condicional à divulgação de informações relacionadas ao clima ou aos investimentos intensivos em carbono / baixo carbono / verdes.

Ajustar cortes – Ajuste os cortes para melhor considerar os riscos relacionados ao clima. Esses parâmetros também podem ser calibrados de forma que eles vão além do que pode ser exigido de uma perspectiva puramente de mitigação de risco, a fim de incentivar o mercado de ativos sustentáveis.

Triagem negativa – Exclui ativos de garantia elegíveis, com base em seu perfil de risco relacionado ao clima em nível de emissor para títulos de dívida ou na análise do desempenho de carbono dos ativos subjacentes para grupos garantidos empréstimos ou produtos securitizados. Isso pode ser feito de diferentes maneiras, incluindo ajustando a elegibilidade aos requisitos, aumentando a tolerância ao risco, introduzindo regras de mobilização mais rígidas ou específicas, etc.

Triagem positiva – Aceitar garantia sustentável de modo a incentivar os bancos a emprestar ou os mercados de capitais a financiar projetos e ativos que apoiam atividades ambientalmente corretas (por exemplo, títulos verdes ou vinculados à sustentabilidade ativos). Isso pode ser feito de diferentes maneiras, incluindo o ajuste dos requisitos de elegibilidade, aumentando o risco de tolerância em uma escala limitada, relaxando algumas regras de mobilização, etc.

Alinhe garantias com um objetivo relacionado ao clima – Exigir que os agentes prestem garantias de forma que cumpram com uma métrica relacionada ao clima em um nível agregado do grupo.

Compra direcionada –  Compra de ativos fora dos acordo relacionado aos riscos de clima e/ou critérios aplicados no nível do emissor ou do ativo.

Triagem negativa –  Excluir alguns ativos ou emissores das compras se eles não atenderem aos critérios relacionados ao clima.

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