Instituto Escolhas propõe matriz de riscos ambientais para financiamentos em projetos de energia

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A preservação ambiental como ponto fundamental na concessão de financiamentos para o setor energético. Isso é o que sugere o estudo Matriz de Riscos: um caminho para os bancos incorporarem o meio ambiente em seus financiamentos, realizado pelo Instituto Escolha, que traz uma série de sugestões de critérios padronizados e transparentes para as análises do setor financeiro com o objetivo de combater as mudanças climáticas, mostrando assim o comprometimento deste setor com a preservação ambiental. Isso deve gerar novos desafios para que os negócios se tornem mais sustentáveis.

De acordo com o pesquisador responsável, Aurelio Libanori, o documento segmentou os riscos ambientais a partir da sua importância, que leva em conta uma combinação da magnitude, duração e reversibilidade dos impactos. Para isso, foram analisados três tipos de usinas de geração de energia, mostrando que as hidrelétricas são as que possuem o maior número de riscos ao meio ambiente (46), seguidas pelas termelétricas a gás natural (34) e, por fim, pelas eólicas (29). Algo que, segundo o material apresentado, deve ser considerado no momento do financiamento desses projetos.

No caso das termelétricas a gás natural, o estudo destaca o risco das emissões de gases de efeito estufa e que recursos para novas usinas desse tipo apenas aumentam o impacto de quem as financia sobre o problema da crise climática.

A matriz funciona como um guia para a avaliação de novos financiamentos e, ao incorporar os critérios propostos, uma instituição poderá rejeitar ou aceitar um financiamento ou mesmo estabelecer as suas condições.

Para o diretor executivo do Instituto Escolhas, Sergio Leitão, as informações apresentadas buscam ajudar na tomada de decisão sobre um projeto. Ele ainda destacou que o meio ambiente é sempre visto como uma externalidade.

“O que estamos buscando é trazer essas informações para o momento da decisão do financiamento, permitindo que o banqueiro ou o investidor leve essas informações organizadas em consideração na sua decisão de investir previamente e não se preocupe depois”, disse.

A gerente de Projetos e Produtos do Escolhas, Larissa Rodrigues, reforçou a importância dos critérios sugeridos pelo estudo dentro de uma economia de baixo carbono.

“A avaliação do meio ambiente dentro dos financiamentos ainda é tímida. Casos como a usina hidrelétrica de Belo Monte só mostram que os compromissos voluntários não são suficientes para lidar com os riscos desses projetos e induzir mudanças concretas para uma economia de baixo carbono. Enquanto não tivermos instrumentos como a matriz de riscos, vamos levar para o futuro os erros do passado”, afirmou Larissa.

Para Fabio Alperowitch, fundador da FAMA Investimentos, é preciso desconstruir o pensamento de que as questões ambientais e climáticas são algo novo ou passageiro.

“O que acontece é que as questões ambientais estão na área de conformidade, se restringindo à fiscalização das empresas. Nos últimos anos, ela tem escalado para a mesa dos CEOs, como uma área de negócios”, lembrando que: “A existência de um framework ou de uma matriz que aponte para os riscos de cada uma das fontes energéticas é essencial para os agentes do setor financeiro, para servir de alerta sobre onde buscar a informação de cada um dos riscos que ignoravam até então”.

Vinicio Stort, diretor executivo do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais – BDMG, avaliou como positiva a criação da matriz do Instituto Escolha, pois, segundo ele, ajuda o banco a se posicionar nessa área.

“Esse tipo de trabalho nos ajuda a harmonizar esses conceitos. Atualmente, há um espaço muito grande para que a retomada econômica inclua aspectos ambientais e sociais de forma diferente, é uma oportunidade”, disse Vinicio.
A gente de Soluções em Sustentabilidade do Banco do Brasil, Kátia Silene de O. Maia, destacou que há interesse dos bancos em serem cada vez mais sustentáveis e lembrou que a matriz não contribui apenas para orientar as políticas de financiamento, mas também para as práticas internas de sustentabilidade, a partir da redução dos impactos da atividade bancária.

Helvio Guerra, diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), afirma que ter uma matriz que oriente a concessão de financiamentos para o setor, deve contribuir para a formulação de políticas públicas. “A elaboração de uma matriz de riscos, com elementos objetivos, para auxiliar na tomada de decisão para financiamentos de novos empreendimentos de geração de eletricidade, auxilia também o planejador, o regulador e o formulador de políticas públicas. Indiretamente, o que o Instituto Escolhas faz é buscar qual a melhor alternativa para a produção de eletricidade no nosso país, afirmou Guerra.”

Ana Luci Grizzi, advogada e sócia do Veirano Advogados, que ajudou na proposta de resolução ao Banco Central apresentada pelo Instituto Escolhas, afirmou que é essencial ter um regulação específica para a incorporação da matriz de riscos por setores.

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