Pandemia gera retrocesso na busca por igualdade de gênero, afirma Fórum Econômico Mundial

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A pandemia do novo coronavírus fez retroceder a luta global pela igualdade de gênero. De acordo com relatório publicado pelo Fórum Econômico Social, a redução no ritmo da desigualdade indica que a paridade entre os sexos agora só deverá ser obtida em 135,6 anos, 36 anos a mais que a estimativa anterior, de antes da Covid-19. Este é o décimo quinto ano seguido que o Fórum Econômico Mundial elabora o documento. 

“A pandemia COVID-19 levantou novas barreiras para construir economias inclusivas e prósperas e sociedades. Lacunas de gênero pré-existentes têm amplificado a crise de forma assimétrica entre os homens e mulheres, mesmo com as mulheres como trabalhadoras essenciais no gerenciamento desta. Os setores mais atingidos pelos bloqueios e digitalização rápida são aqueles em que as mulheres são empregadas com mais frequência. Combinado com pressões adicionais de prestação de cuidados em casa, a crise impediu o progresso em direção à paridade de gênero em várias economias e indústrias”, informou o documento.

O relatório de 2021 analisa quatro diretrizes: Participação e oportunidades econômicas; avanços educacionais; saúde e sobrevivência; e empoderamento político. O estudo ainda apresenta um ranking de 156 países, no qual o Brasil ocupa a 93ª posição, uma a menos que no levantamento de 2020. O Brasil está à frente, na América Latina, apenas da Guatemala (122ª posição), e perde de grandes nações administradas por diferentes correntes ideológicas, como México (34ª posição), Argentina (35ª posição), Cuba (39ª posição), Colômbia (51ª posição), Bolívia (61ª posição), Chile (70ª posição), Uruguai (85ª posição) e Venezuela (91ª posição).

“O Brasil fechou 69,5% dos aspetos de diferença geral de gênero, alcançando uma posição de 93º globalmente. Apenas 13,8% da lacuna de gênero no Empoderamento Político tem sido encerrada, classificando o Brasil em 108º lugar nesta edição, com uma queda de quatro posições desde o ano passado. Além disso, há poucas mulheres parlamentares (15,2%, 17,9% até agora) e ministros (10,5%, 11,7% até agora), e uma mulher esteve em um papel de chefe de estado por apenas cinco anos dos últimos 50 ( diferença de 12% fechada até agora). As diferenças de gênero também persistem em termos de participação e oportunidade, onde apenas 66,5% da lacuna foi fechada (classificação 89), um ligeiro melhoria em relação à edição anterior”, destaca o relatório.

Um dos principais aspectos que contribuem para a ampliação das diferenças é a questão da remuneração, com 54,2% de desigualdade salarial e 56,7% de diferença de renda identificados. Em relação à participação como força de trabalho, o país tem 61,9% das mulheres adultas e 80,1% dos homens trabalhando, uma lacuna de 77,2%. Na avaliação da presença feminina em cargos seniores, o percentual de mulheres é de 39,4%, chegando a uma diferença de 65,1% no quadro global para esta função.

Por outro lado, as nações europeias e alguns países africanos lideram o ranking de maior igualdade. Segundo o levantamento, os dez países com menor desigualdade de gênero são: Islândia, Finlândia, Noruega, Nova Zelândia, Suécia, Namíbia, Ruanda, Lituânia, Irlanda e Suíça. 

O documento do Fórum Econômico Mundial afirma que, embora as mulheres tenham conseguido manter condições de igualdade em temas como educação e saúde, elas não têm as mesmas oportunidades que os homens na área econômica, enfrentam maior dificuldades para conseguir destaque político e sofrem mais desafios no ambiente de trabalho.

“A pandemia afetou significativamente a igualdade de gênero, tanto no local de trabalho quanto em casa, atrasando anos de progresso. Se aspiramos a uma economia futura dinâmica, é essencial que as mulheres estejam presentes nos empregos do futuro. Agora, mais do que nunca, é fundamental focar na liderança, no compromisso com metas fortes e na mobilização de recursos; agora é a hora de incorporar a paridade de gênero, integrando-a na recuperação ”, disse Saadia Zahidi, diretora-gerente do Fórum Econômico Mundial.

O relatório propõe vários modos operacionais para os países trabalharem no sentido de eliminar as disparidades de gênero. Estes incluem: novos investimentos no setor de cuidados e acesso equitativo à licença para trabalhadores de ambos os sexos; políticas e práticas proativamente focadas na superação da segregação ocupacional por gênero; políticas eficazes de desenvolvimento de habilidades de carreira que aplicam uma perspectiva de gênero, bem como práticas de gestão que incorporam recrutamento e práticas de promoção sólidas e imparciais.

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