Empresas que faturam US$ 3 trilhões pedem que Biden seja mais ousado na cúpula do clima

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Há poucos anos quem pressionava os governos nas questões ambientais era o terceiro setor. Empresário, temendo perder margem ou tendo que investir em tecnologias mais limpas, resistiam a padrões mais firmes. Porém isso é passado. Nas vésperas da Cúpula de Líderes sobre o Clima, convocada por Joe Biden e que acontecerá no fim desta semana, grandes empresas americanas pressionam para que o governo dos EUA assuma uma postura mais agressiva no enfrentamento das mudanças climáticas.

Mais de 300 empresas apelaram ao presidente Joe Biden para quase dobrar as metas dos EUA para reduzir as emissões que causam o aquecimento do planeta abaixo dos níveis de 2005 até 2030. O impulso de líderes de empresas como Google, Apple, Walmart, General Eletric e Unilever vem antes da cúpula dos líderes globais sobre o clima que a administração Biden realizará na próxima semana. As empresas que assinaram a carta representam mais de US$ 3 trilhões em receitas anuais e mais de US$ 1 trilhão em ativos. 

A carta indica uma mudança do setor privado para abordar seu próprio impacto na mudança climática e se alinhar melhor com as metas do governo Biden, que prometeu colocar o país no caminho de emissões líquidas de carbono zero até 2050. As empresas americanas elogiaram a volta dos EUA ao acordo de Paris, revertendo a decisão de Donald Trump. 

Mas agora sinalizam que é preciso ir além da meta proposta no governo de Barack Obama, que decidiu cortar as emissões em até 28% abaixo dos níveis de 2005. O impulso de executivos de algumas das maiores empresas do país para definir uma meta de reduzir as emissões de dióxido de carbono, metano e outros gases em pelo menos 50% – uma meta alinhada com o que os grupos ambientais desejam.

Fontes da imprensa americana indicam que o governo Biden deverá apresentar uma meta mais agressiva de redução de emissão de gases. Isso pode ajudar o país a se reposicionar no mundo, em um cenário onde os europeus detém a liderança no debate ambiental, e forçar que outros países intensifiquem suas ações, em especial a China. A agenda ambiental, inclusive, é o único ponto, hoje, onde há franca cooperação entre americanos e chineses, que continuam se enfrentando em temas como comércio, tecnologia e geopolítica.

Esta nova postura ocorre em um cenário onde as empresas já deverão ser mais “penalizadas” no governo americano. As ambições climáticas de Biden, incluindo um pacote de infraestrutura abrangente que investe pesadamente em tecnologias de energia limpa, seriam pagas em grande parte pelo aumento das taxas de impostos corporativos, um movimento que poderia desencadear objeções de algumas das mesmas empresas que assinaram a carta.

“Muitos de nós definimos ou estão definindo metas de redução de emissões de acordo com a ciência do clima desde o estabelecimento do acordo de Paris”, dizia a carta. “O setor privado comprou energia renovável a taxas recordes e, junto com inúmeras cidades em todo o país, muitos se comprometeram com um futuro líquido de zero emissões.”

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