Pandemia deve acelerar robotização de empresas

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A recuperação do mundo pós-pandemia exige um esforço para a geração de empregos, perdidos com a crise da Covid-19. Porém, um estudo recentemente publicado no blog do Fundo Monetário Internacional (FMI) aponta que crises sanitárias favorecem justamente a automação e robotização de empresas, dificultando a retomada das ocupações.

No texto, escrito por Tahsin Saadi Sedik e Jiae Yoo, há dois motivos para que pandemias favoreçam a robotização. O primeiro é que empresas buscam cortar custos de mão de obra e preferem fazer investimentos, às vezes dispendiosos, de uma vez, mas reduzir custos a longo prazo. O outro ponto é ainda mais controverso: com a pandemia fica exposta a vulnerabilidade humana e, para evitar faltas no futuro, investe-se em automação.

“Nós nos concentramos em uma forma de automação, robôs industriais, e analisamos o efeito de grandes pandemias anteriores em sua adoção: SARS em 2003, H1N1 em 2009, MERS em 2012 e Ebola em 2014. Usamos técnicas econométricas e dados de robôs no setor nível da Federação Internacional de Robótica cobrindo 18 indústrias em 40 países entre 2000 e 2018. Descobrimos que a adoção de robôs (medida por novas instalações de robôs por 1000 funcionários) aumenta após um evento pandêmico, especialmente quando o impacto na saúde é severo e quando a pandemia está associada a uma queda econômica significativa”, escreveram os autores.

Entretanto, eles lembram que a robotização pode ampliar a desigualdade. “Os robôs não afetam todos os trabalhadores da mesma maneira. Trabalhadores pouco qualificados correm mais risco de deslocamento por robôs do que trabalhadores altamente qualificados, o que reforça a dinâmica de desigualdade existente”, informam os autores. “Observando os dados em nível de país e uma amostra maior, descobrimos que, após uma pandemia, o aumento da desigualdade, medido pelo coeficiente de Gini, a médio prazo é maior onde a adoção de novos robôs aumentou mais. Nossos resultados sugerem que a aceleração da robotização é um canal importante através do qual as pandemias levam a uma maior desigualdade”.

Sedik e Yoo, contudo, indicam esse movimento é inevitável e é esperada um aumento da automação nos próximos anos em ritmo superior ao que existia antes da descoberta do novo coronavírus. Assim, é importante que os formuladores de políticas públicas levem essa dinâmica em conta ao prever a recuperação da economia. “Se não forem controladas, as disparidades crescentes podem levar a queixas duradouras e, em última instância, à agitação social, formando um ciclo vicioso”, afirmam, lembrando que as políticas para mitigar o aumento da desigualdade incluem a reformulação da educação para atender à demanda por conjuntos de habilidades mais flexíveis, além de aprendizagem contínua e novo treinamento – especialmente para os trabalhadores mais afetados. Um bom exemplo que eles citam no texto do FMI é a iniciativa SkillsFuture de Cingapura, que promove o aprendizado em todas as fases da vida para enfrentar os desafios trazidos pelas mudanças tecnológicas.

“Embora a robotização seja inevitável, seu resultado distributivo dependerá de políticas. Uma sociedade que está mais disposta a fornecer apoio àqueles que ficam para trás pode acomodar um ritmo mais rápido de inovação, garantindo que todos os membros da sociedade estejam em melhor situação”, concluem os autores.

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