Mercado de carbono, a commodity do momento

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O carbono se tornou umas das commodities mais interessantes do mundo. Isso se deve à necessidade das empresas emissoras de poluentes buscarem meios de compensação e redução de danos ao meio ambiente. Nos primeiros meses de 2021, o custo da tonelada do carbono na União Europeia chegou a mais de 50 euros (R$327). Ou seja, houve uma elevação no valor da “poluição no bloco” para mais que o dobro do número pré-pandemia de Covid-19. Até dezembro de 2020, o valor era de 30 euros por tonelada. 

Essa conta é feita com base no sistema projetado para precificar a emissão de dióxido de carbono por  algumas das indústrias mais poluentes, tais como as de geração de energia e aviação. Essa evolução rápida do preço é preocupante para as empresas da União Europeia, pois para se adaptar e manter a liquidez pode haver repasse desses custos aos consumidores. No entanto, no resto do mundo esse ainda é um mercado em estruturação, principalmente nas economias em desenvolvimento.

No Brasil, as negociações de carbono ainda carecem de regulação e dentro do Congresso Nacional já estão sendo discutidos modelos a serem adotados no país. Os créditos de carbono são uma alternativa para as empresas que buscam reduzir seus impactos no que se refere a emissões de gases, por isso tornar as regras mais claras no país seria fundamental para que o Brasil aproveitasse a oportunidade de gerar benefícios socioambientais em cadeia. 

Apesar da ausência de regulação, muitas empresas apostam em soluções sustentáveis e adotam por aqui as metas estabelecidas no mundo pelos grupos. Esse é o caso da fábrica do BMW Group em Araquari, onde foram instaladas 562 placas fotovoltaicas no telhado do prédio da Montagem. Os painéis ocupam uma área de 1.068 m2, que tem a possibilidade de ser expandida. Juntas, elas vão gerar 261.397 kWh de energia em um ano, o que seria suficiente para abastecer 143 residências, de acordo com a média de consumo brasileiro.

Com isso, a fábrica deve deixar de emitir cerca de 28,75 toneladas de CO2 por ano, o equivalente a 2.738 árvores. A ação segue a política mundial do grupo BMW, que pretende até 2030 reduzir em 20% a emissão de CO2 por veículo na cadeia produtiva, em 80% na produção, por veículo, e em 40% na fase de uso, também por veículo.

“Seguimos tendo a sustentabilidade como um assunto de extrema importância. E, por isso, estamos muito orgulhosos de mais esse passo dado aqui na fábrica de Araquari”, disse Mathias Hofmann, diretor geral da fábrica do BMW Group em Araquari.

Ao todo, em 2019, o Brasil emitiu 2,17 bilhões de toneladas de CO2, segundo dados Seeg (Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa), uma iniciativa do Observatório do Clima, rede com mais de 50 ONGs. O agronegócio foi responsável direta ou indiretamente por 72% das emissões brasileiras em 2019. O setor de energia responde por 19% dos gases liberados no país. Já as indústrias participam com 5% das emissões nacionais.

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