Plano espanhol recomenda suspensão de voos de curta distância para reduzir emissão de CO2

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Com o objetivo de reduzir os impactos ambientais e a emissão de CO2, o governo da Espanha apresentou nesta quarta-feira (20) um plano com metas até 2050. Uma das principais medidas é a proibição dos voos de curta duração, viagens que possam ser feitas em até duas horas e meia em modais alternativos, como os trens. A medida é semelhante a anunciada pela França há alguma semanas, que também prevê o fim dos voos de curta distância. O objetivo é que a partir disso reduzir as emissões do setor de transporte espanhol para 2 milhões de toneladas até 2050.

Para atingir a meta, a Espanha deve ainda adequar a tributação do transporte rodoviário ao uso efetivo do veículo, ou seja, passar dos valores fiscais atuais sobre a compra, circulação e combustíveis, para um imposto sobre o uso efetivo medido do veículo que leve em consideração suas características, como peso, potência, emissões de poluentes atmosféricos e gases de efeito estufa.

Do mesmo modo, propõe-se a realização de uma melhoria da rede ferroviária tanto para o transporte de pessoas como de mercadorias, atividade esta última ainda maioritariamente realizada por via rodoviária, com as elevadas emissões que isso implica.

O Governo justifica que a maior utilização das rodovias para transporte, setor que mais gera emissões, responde à construção em larga escala de rodovias, em detrimento das ferrovias, à dependência de veículos particulares na mobilidade interurbana, ao aumento de tamanho e a potência média dos automóveis nos últimos anos, a baixa carga tributária sobre o transporte e a distribuição desigual da população no território.

“No que diz respeito ao frete, é necessário ampliar a eletrificação da malha ferroviária, utilizar trens híbridos com hidrogênio renovável para os trechos não eletrificados, aumentar a eficiência dos terminais intermodais e incorporar ferrovias nos portos e aeroportos que não possuem” , descreve o texto.

No caso da transição do fluxo de passageiros de uma malha aérea para ferroviária, representantes do setor ferroviário espanhol já apostavam na eliminação dos trajetos de curta distância e sob a perspectiva deles não haveria grande impacto para as aéreas, pois o modelo das companhia se baseia em grande parte em viagens internacionais.

No entanto, a medida já encontrou resistência no setor aéreo que teme perda de receita com a proibição das rotas e também frente aos incentivos fiscais anunciados pelo governo para que os passageiros migrem para o modal ferroviário. Para os representantes do setor na Espanha, poderá ocorrer um pacto significativo na área de turismo com essa medida.

Sobre o transporte de pessoas, o governo propõe expandir as redes existentes, modernizar as linhas que não são de alta velocidade, relançar os serviços de trens noturnos, atualizar e acabar com as ligações transfronteiriças e promover a procura através da aplicação de tarifas justas que contemplem o menor impacto sobre o meio ambiente e a saúde da ferrovia em comparação com outros meios de transporte.

Outra das medidas incluídas no relatório ‘Espanha 2050’ no domínio das estradas é continuar a implementar zonas de baixa e ultra baixa emissão, como as de Barcelona ou Madrid, portagens urbanas, como as estabelecidas em Estocolmo, Londres, Milão , ou superquadras, como também em Barcelona, ​​com o objetivo de reduzir a poluição atmosférica e sonora aos níveis recomendados pela OMS, bem como os acidentes rodoviários

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