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Rentabilidade e respeito ao meio ambiente são duas prerrogativas que a cada dia captam mais as atenções dos investidores que buscam aportar recursos em iniciativas que combinem esses fatores. Dentro desse contexto, as greentechs avançam e cada vez mais conquistam o mercado. Um bom exemplo disso é a Brota Company, startup que criou a primeira horta residencial inteligente do Brasil, produzida com materiais 100% reciclados, que acaba de receber um aporte, ou capital semestre, de R$ 1 milhão em uma rodada foi liderada pela APEX Partners, que tem em seu portfólio exits de sucesso, como a Singu para a Natura. 

“Acreditamos que a sociedade tem anseio por soluções que deem-as a oportunidade de escolha por uma vida mais saudável, mais contato e menos impacto na natureza. É com esta premissa que a Brota se baseia desde o início das operações”, disse Rodrigo Farina, CEO da Brota Company.

Ele explica que o aporte servirá para a empresa criada em 2019 no Rio de Janeiro por ele e pelos colegas Juan Correa e Bruno Arouca, dar mais robustez ao produto, opções de plantio com a criação e lançamento de um sistema próprio de iluminação artificial, além do aumento para 30 tipos de cápsulas entre temperos, hortaliças e chás. Além disso, a empresa, que hoje tem 15 funcionários, pretende dobrar este número até o final do ano. Hoje a startup já conta com 13 mil clientes, tendo a meta de chegar em 25 mil até o fim de 2021, distribuindo mais de 300 mil cápsulas e atingindo R﹩ 7 milhões de faturamento.

O produto é bastante inovador e se encaixa bem nos lares modernos e urbanos. Ele é vendido no site da própria startup, funciona a partir de cápsulas as quais cada uma contém uma espécie de solo inteligente preparado especialmente para o crescimento da semente já contida nela. De acordo com o site da empresa, o consumidor precisa somente abastecer o reservatório uma vez a cada 25 dias e logo começam a crescer a planta. 

Isso acontece graças ao sistema autônomo de irrigação e nutrição da horta, que alimenta cada cápsula com um tipo de planta no tempo e quantidade ideais, eliminando totalmente a necessidade de conhecimento sobre botânica ou mesmo alguma prática. Hoje a empresa disponibiliza 8 opções de cápsulas, entre elas de Camomila-Húngara, Alface Baby Leaf e Orégano Bravo-Europeu. Em caso de dúvida, o cliente tem à disposição tanto no site quanto nas redes sociais da Brota diversos conteúdos explicativos a respeito de toda a jornada com a planta – do plantio até a poda, todos pensados a partir das principais dúvidas identificadas.

“Em apenas 5 meses, a Brota vendeu quase R$ 2,4 milhões, o que comprova a alta capacidade de execução e de entrega de seu time. Além disso, evidenciou que existe um alto potencial de mercado para o inovador produto da empresa”, afirma Felipe Caroni, sócio e Gerente de Private Equity, Venture Capital e Dívida da Apex Partners. 

Além da adesão dos clientes do varejo, o executivo destaca ainda que a startup possui muitos projetos promissores para o lançamento de novas linhas de produtos e entrarem em novos canais de venda.

“Por fim, observamos os mercados mais desenvolvidos, como o norte-americano e europeu, observamos que startups semelhantes estão performando bem. Duas delas, a Click & Grow e a Plantui, conseguiram captar em suas rodadas de investimento mais de 20 milhões de dólares”, conclui Caroni.

Cenário

Segundo a ONU, 90% das pessoas estarão residindo em cidades até 2030. Isso significa que a distância delas para a produção de alimentos que é no ambiente rural só aumenta. Isso leva ao risco da escassez de alimentos, que é resultado de três fatores: o desperdício de alimentos pelo esforço até chegarem às cidades e, por fim, a consequente extinção dos pequenos produtores. A constatação é que está ficando cada vez mais caro, menos saudável e menos sustentável o caminho da produção até a mesa do consumidor

“Já podemos identificar um claro ponto futuro de inflexão na alimentação mundial. Isso significa que a produção de alimentos em breve não acompanhará mais o volume populacional do planeta se mudanças não forem realizadas. Para isso, seria necessário aumentar em 60% a capacidade de produção mundial. Mas como isso é possível se, segundo a Nasa, 80% de toda terra adequada para plantio já está ocupada?”, questiona Farina.

A resposta pode parecer simples: tecnologia e produtividade. Porém, na avaliação dos fundadores da Brota, para isso é necessário investir em tecnologia e hoje a massa da produção de alimentos é feita por microprodutores, com renda média mensal de R$ 400, o que inviabiliza qualquer possibilidade de investimento nesse sentido. Por isso, a startup aposta em um sistema que coloque os consumidores como produtores de alimentos. 

A proposta da Brota é despertar a atenção das pessoas para esse problema real e se preocuparem mais com uma vida mais sustentável, com mais saúde logo a partir do primeiro contato com a horta. Um estudo produzido no Rio de Janeiro pela própria startup aponta que 74% das pessoas entrevistadas gostariam de ter uma horta em casa, mas alguns motivos as impedem e chamam a atenção: 72% das pessoas afirmaram não encontrarem tempo na rotina para cultivar uma horta. Já 69% disseram que não plantam por não terem conhecimento de plantas e 59% não plantam pela falta de espaço em casa.

 

 

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