De olho na China, Estados Unidos vota nova política industrial

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O enfrentamento econômico entre os Estados Unidos e a China está levando a uma retomada da política industrial americana. Para voltar a produzir, prioritariamente, semicondutores no país, o Congresso norte-americano deve aprovar nesta semana um pacote de incentivo de US$ 52 bilhões. O impacto de tal medida vai além desta disputa e pode ser um marco de novas políticas industriais pelo mundo. 

A proposta analisada pelos parlamentares norte-americanos vai além dos semicondutores, e avança para um dos pontos mais delicados dessa relação: o 5G. Serão US$ 1,5 bilhão para o desenvolvimento da tecnologia da internet de quinta geração no país.

Essa mudança acontece em um momento de escassez global de semicondutores, que começou no primeiro trimestre de 2021 e resultou na interrupção de linhas de montagem por todo o mundo, inclusive no Brasil, pois é longo tempo de espera por esses componentes. Isso levou à redução no ritmo de produção de smartphones, eletrodomésticos e sistemas de assistência ao motorista. Nos EUA, as principais montadoras, já anunciaram mudanças significativas em sua produção e reduziram em bilhões de dólares suas estimativas de receita.

O avanço do projeto é um sinal de que, quando o assunto é China, Republicanos e Democratas atuam na mesma sintonia, com fortes consequências econômicas. 

Para o senador Chuck Schumer, democrata de Nova York e líder da maioria no Senado, esse texto é uma das ações mais importantes realizadas pelo Congresso em muito tempo.

“Ela pretende dinamizar a inovação nos EUA e preservar a vantagem competitiva do país não apenas nos próximos anos, mas nas futuras gerações”, afirmou o senador Schumer. 

O senador que representa o governo do presidente Joe Biden, disse em recentes declarações que a proposta em votação pelo Congresso do país não se assemelha ao modelo chinês que investe em “campeões nacionais”, mas é sim um projeto que visa desenvolver de forma robusta em áreas estratégicas, como computação quântica, Inteligência Artificial, Pesquisa biomédica, entre outras. 

A ideia, segundo o democrata, é que essas áreas de domínio precisam de pesquisa e são áreas de potencial crescimento industrial, o que consequentemente resultará em grande geração de emprego.

Nessa questão dos semicondutores, é preciso entender que a pandemia de Convid-19 mudou o cenário de demanda por esses componentes. Segundo dados da consultoria Mc Kinsey, enquanto no primeiro semestre de 2020 a indústria automobilística enfrentou uma queda substancial na demanda por semicondutores, houve um aumento na busca por equipamentos para o trabalho remoto associado a conectividade, a demanda do consumidor aumentou significativamente por computadores pessoais, servidores e equipamentos para comunicações com fio, todos os quais dependem fortemente de semicondutores. Isso significava que, mesmo com a indústria automobilística reduzindo drasticamente os pedidos de chips, outros setores enfrentaram uma necessidade crescente.

Na análise dos dados,  a demanda real por semicondutores na indústria automotiva em 2020 ficou atrás de uma estimativa pré-pandêmica em cerca de 15 pontos percentuais. No mesmo período, a maioria dos outros segmentos (com exceção do setor industrial) experimentou uma rápida expansão, resultando em um aumento médio de 5% nas vendas de semicondutores além do crescimento previsto. Por causa disso, quando a demanda do setor automotivo se recuperou mais rápido do que o previsto no segundo semestre de 2020, a indústria de semicondutores já havia mudado a produção para atender à demanda por outras aplicações.Pro

Este tipo de política industrial, mais comum a países em desenvolvimento, mostra a importância da tecnologia e da indústria no mundo. Projetos como este tendem a servir de exemplos para outras nações e podem alterar as cadeias globais de produção.

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