Entrevista: Diretora-executiva da ABF diz que setor de franquias espera desempenho melhor em 2021

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O setor de franquias foi um dos que mais sofreu impactos ao longo de 2020 e em 2021 segue buscando alternativas para minimizar os impactos sobre os negócios em função das medidas recorrentes de isolamento social. A diretora executiva da ABF( Associação Brasileira de Franchising), Silvana Buzzi, conversou com o Vida de Empresa e falou um pouco sobre o desempenho do setor e quais segmentos conseguiram se sair bem no período de medidas restritivas para enfrentamento da Covid-19. Para ter uma ideia, de janeiro a março de 2021, comparado a igual período de 2020, o faturamento das franquias recuou 4%, passando de R$ 41,537 bilhões para R$ 39,881 bilhões. Analisando o intervalo de 12 meses – período integralmente impactado pela pandemia –, o setor registrou uma queda de 11,4% em sua receita. O ambiente instável, a queda dos índices de confiança do empresariado e dos consumidores e a vacinação em ritmo insuficiente são desafios para o país. 

2020 foi um ano que surpreendeu a todos, principalmente empreendedores que tiveram que se reinventar. Como ABF avalia que deve ser 2021 para o setor de franquias?

Em que pese a persistência de incertezas em relação à pandemia, temos uma expectativa mais positiva em relação a 2021, de forma que consigamos recuperar grande parte das perdas do ano passado. Nossas projeções atuais apontam para um crescimento em faturamento da ordem de 8% e de 5% em unidades de franquia e volume de empregos gerados. Esperamos também que o consumidor vá se abrindo mais à medida que retoma hábitos pré-pandemia, alavancando toda a cadeia de valor do setor. Esperamos ainda sair da crise um setor mais digital, multicanal e flexível para se adaptar às mudanças cada vez mais rápidas do mercado.

 Quais foram os impactos sobre o setor em 2020 e neste primeiro trimestre?

As políticas de isolamento social, principalmente o fechamento de shoppings e restrições severas ao comércio de rua, provocaram uma queda severa de demanda, que foi compensada apenas parcialmente pelos canais digitais. Se considerarmos os 12 meses em que a pandemia esteve instalada no Brasil, a queda de faturamento foi de 11,4%, um reflexo forte, mas que poderia ser muito pior sem a fortaleza do franchising que atua em rede e adotou medidas e estratégias para minimizar o recuo. No primeiro trimestre de 2021, a redução foi de 4%, mostrando que o setor caminha para uma recuperação mais forte nos próximos trimestres.

 A associação ainda acredita que seja possível votar reformas que possam impactar diretamente nos negócios de franqueados?

Estamos nos movimentando junto ao governo federal para que essas reformas e outros projetos sejam votados este ano ainda. Veja o exemplo da aprovação do Fampe e do PRONAMPE como ferramenta permanente. Ainda que não sejam concluídas integralmente este ano, as reformas administrativa e tributária trariam grandes ganhos ao país.

Dá para dizer, entre os associados, quais foram os tipos de negócios mais afetados até o momento e quais os que mostraram melhor performance.

Sim, quando olhamos os dados por segmento do franchising, os mais afetados foram Turismo e Hotelaria e Entretenimento e Lazer, devido às grandes restrições à reunião de pessoas. Pelo lado positivo, os destaques foram Casa e Construção com uma expansão muito expressiva, alavancada pelos juros baixos, a resiliência de reformas e o fato de as pessoas estarem passando grandes períodos em casa. Outro destaque é a área de Saúde, Beleza e Bem Estar que cresceu menos, mas que foi alavancada pela realização de procedimentos mais invasivos e o direcionamento de recursos que antes eram destinados a viagens, eventos, etc.

 

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