Falta de semicondutores pode levar montadoras a perder US$ 100 bilhões

Leia também

Pesquisa mostra que líderes empresariais esperam garantir ganhos de sustentabilidade e mudanças climáticas

Uma pesquisa realizada pela KPMG neste ano com 500 CEOs globais de consumo e varejo,mostra que 92% deles desejam garantir os ganhos de sustentabilidade...

As montadoras de veículos automotores respondem por 10% das compras globais de semicondutores e, segundo estudo da KPMG “Sobrevivendo à tempestade do silício”, caso não haja uma mudança em seus modelos de negócio, essas empresas devem seguir com problemas de abastecimento desses componentes. O relatório destaca que as montadoras devem perder até 80% do valor em vendas devido a essa escassez, traduzindo em números, a soma chega a US$ 100 bilhões. Alguns desses impactos já são sentidos por algumas empresas, muitas com redução no volume de produção e já com registro de queda de receitas.

“A pesquisa analisou por que a indústria automotiva é a mais atingida pela escassez de semicondutores e como as montadoras, e outros compradores de chips, podem se preparar para o futuro. A dependência de fornecedores de semicondutores só vai aumentar e decisões urgentes precisam ser tomadas”, afirma Ricardo Bacellar, Líder do setor de Industrial Markets e Automotivo da KPMG no Brasil.

A pesquisa chama atenção para a necessidade de maior planejamento por parte da indústria, substituindo a mentalidade just-in-time por uma previsão de suprimentos de longo prazo para componentes essenciais. Além disso, as montadoras e fornecedores de peças também precisam colaborar mais estreitamente com os fabricantes de semicondutores em todos os pontos do processo de projeto e produção.

Para a KPMG, assim como outros grandes clientes de chips, todos os fabricantes precisam reservar capacidade futura ou até ajudar a financiar fábricas de chips. As empresas automotivas, conforme recomenda o documento, precisam se adaptar rapidamente e, entre as principais mudanças que podem colocar as montadoras em uma melhor posição competitiva, estão:

Colaboração mais próxima: em vez de depender de fornecedores de Nível 1 ou do gerenciamento indireto da cadeia de suprimentos, as montadoras podem colaborar diretamente com os fabricantes de semicondutores. A colaboração pode assumir várias formas, como parcerias formais, roteiro (roadmap) estratégico periódico e sessões de previsão e sourcing direto. As montadoras precisam entender a dinâmica da cadeia de suprimentos de semicondutores e como ela difere de sua própria cadeia de suprimentos.

Considerar fazer investimentos diretos na capacidade de fabricação de chips: as montadoras podem desempenhar um papel ativo em assegurar que haja capacidade para os chips de que precisam, reservando capacidade, garantindo a demanda ou fazendo investimentos diretos para aumentar a capacidade. Algumas fundições já estão vendendo capacidade em vez de apenas pastilhas de silício.

Aperfeiçoar a tomada de decisão baseada em dados: conforme as cadeias de suprimentos se tornam mais complexas, a melhor escolha é pelo “planejamento cognitivo” que pode ser usado para configurar e integrar as atividades usando inteligência artificial.

Analisar o processo de seleção, projeto e fornecimento: no longo prazo, os fabricantes de automóveis podem evitar problemas de fornecimento ao reduzir a dependência de peças sob medida, usando peças padrão que podem ser modificadas ou atualizadas via software, por exemplo. A seleção de hardware que funcione com software de código aberto pode ajudar a reduzir custos e garantir acesso a vários fornecedores. Esta abordagem está sendo utilizada por operadoras de redes móveis 5G para evitar hardware proprietário caro.

Otimizar a cadeia de suprimentos de semicondutores, uma possível mudança é a criação de equipes centralizadas dedicadas para supervisionar estas cadeias.

Segundo o estudo da KPMG, estas são algumas das maneiras pelas quais as montadoras podem minimizar o impacto da escassez periódica de abastecimento. Mas há ressalvas há alguns pontos, como colaboração direta com os fabricantes de chips, e contornar os fornecedores de peças de Nível 1, são iniciativas que aumentarão a tensão em alguns relacionamentos tradicionais.

No entanto, de acordo com a pesquisa da KPMG, isso é mais do que minimizar os danos da escassez de chips. Trata-se de competir no novo negócio automotivo, onde os componentes eletrônicos são tão importantes quanto os pistões ou peças fundidas. Os novos concorrentes entendem isso e estão investindo no projeto de chips e na gestão da cadeia de suprimentos de semicondutores como uma empresa de produtos eletrônicos de consumo.

- Publicidade -

Outras notícias

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

- Publicidade -

Mais recentes

Startups de energia receberam só neste ano 78% do total de investimentos no setor desde 2015

No ano de uma das piores crises hídricas do Brasil com consequências sobre a produção de energia, as startups do setor já receberam R$...

Nestlé oferece empatia e acolhimento com Projeto Supera

As empresas têm de lidar a todo momento com os impactos ainda presentes da pandemia. Um dos mais complexos é o luto de quem...

Pesquisa mostra que líderes empresariais esperam garantir ganhos de sustentabilidade e mudanças climáticas

Uma pesquisa realizada pela KPMG neste ano com 500 CEOs globais de consumo e varejo,mostra que 92% deles desejam garantir os ganhos de sustentabilidade...

Reino Unido deve ter mais investimentos estatal para ampliar oferta de carregadores para carros elétricos nas ruas

O Reino Unido foi a primeira região do mundo a anunciar que a partir de 2030 não serão mais comercializados veículos a combustão fóssil,...

Extra investe em empreendimentos liderados por mulheres negras de periferias do Brasil

Criado em 2020 para apoiar empreendimentos de mulheres negras periféricas e contribuir para a manutenção dos seus negócios, o projeto da rede Extra, por...