FMI defende imposto sobre carbono e indica meios para mitigar custos

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O alerta feito nesta segunda-feira pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) sobre a piora do cenário otimista da questão ambiental no planeta aumentou a emergência do tema. E uma pesquisa realizada pelo FMI aponta que os principais remédios para tentar que a Terra não caminhe para o pior cenário são amargos e enfrentarão forte oposição de empresas e pessoas, como impostos sobre a emissão de carbono.

Uma pesquisa recente da equipe do FMI, identificou estratégias que podem minimizar ou mesmo eliminar esses desafios. O levantamento sugere que as dificuldades na implementação destas medidas podem ser evitadas se a concepção de políticas de mitigação levar em conta as dimensões da economia política e políticas complementares são implantadas para proteger famílias vulneráveis, que podem perder no curto prazo a transição para uma economia mais verde.

O levantamento revela que na medida em que os impostos ficam mais altos sobre o carbono, há um impacto adverso maior sobre os segmentos mais pobres da população, os governos precisam ficar de olho em como as políticas de mitigação podem afetar a desigualdade. No entanto, para o fundo os custos políticos são insignificantes quando a desigualdade de renda é controlada, seja por meio do desenho das próprias políticas de mitigação, seja por causa da adoção de políticas complementares que protegem os pobres e permitem que eles se recuperem dos deslocamentos infligidos pelos preços mais altos do carbono. Em contraste, quando a desigualdade aumenta, os resultados da pesquisa sugerem que esses custos tendem a ser altos.

O FMI mostra em sua pesquisa que garantir proteção social aos pobres e / ou trabalhadores cujos empregos estão ameaçados também é fundamental. Não há impactos políticos quando as redes de segurança social são expandidas para fornecer seguro contra riscos de demissões e as políticas ativas do mercado de trabalho são expandidas para dar aos trabalhadores deslocados uma chance justa.

Avançar com políticas de mitigação em tempos de preços baixos do petróleo também é benéfico, uma vez que as pessoas sofrerão menos com os preços mais altos do carbono quando a energia estiver barata. 

Outro aspecto apontado pelo estudo é que a estrutura da base industrial Segundo o  estudo, as economias com uma grande base industrial dependente de insumos de energia suja (como carvão) terão mais desafios na construção de apoio para mitigação e provavelmente sofrerão impactos políticos mais negativos. Diversificar a base industrial pode, assim, ajudar a facilitar as políticas de mitigação do clima.

O FMI destaca que a mudança climática continuará sendo o desafio global definidor da época atual. Como acontece com todas as políticas que geram vencedores e perdedores, a legislação ambiental requer o apoio público para ser viável. A pesquisa identifica as principais lições para ajudar a construir esse apoio e usar a crise atual como uma oportunidade para promover um crescimento econômico de baixo carbono e resiliente ao clima.

A pesquisa foi realizada em duas etapas. Na primeira, foram combinadas informações sobre as consequências políticas (apoio popular governamental) de mudanças de política com informações sobre as próprias mudanças de política em uma amostra de 31 países da OCDE. Já os dados sobre apoio político são do International Country Risk Guide do PRS Group, uma consultoria privada.

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