Às vésperas da COP26, relatório indica que desmatamento zero é melhor caminho para Brasil melhorar performance climática

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O melhor caminho para o Brasil conseguir melhorar sua performance climática é com a adoção de desmatamento zero, afirma relatório da Transparência Climática (Climate Transparency), que publicou um relatório indicando os melhores caminhos dos países para a COP26, a cúpula do Clima que ocorrerá em novembro em Glasgow (Escócia). O documento lembra que o desmatamento é responsável por 44% das emissões brasileiras de gases do efeito estufa.

A piora da gestão ambiental no Brasil no atual governo tem afetado a imagem do país, com impactos negativos para investimentos e negócios. Mas, além disso, afirma o relatório, colocam o país longe do caminho de cumprir sua parte para que o mundo possa limitar em 1,5 graus celsius a elevação da temperatura global no planeta. Acima deste nível os impactos humanitários, sociais e econômicos tendem a ser ainda mais severos.

“A principal conclusão do Relatório de Transparência Climática é que os compromissos do Brasil não estão no caminho certo para um mundo de 1,5°C, ou seja, para manter o aquecimento global dentro deste limite, acima do qual as mudanças climáticas representam ameaças mais graves para a humanidade. Se totalmente implementadas, as políticas atuais do Brasil estariam alinhadas, na verdade, com o aquecimento de 3°C”, afirma a entidade, em nota.

Segundo o relatório, isto significaria exposição a impactos muito elevados, com aumento de duração e intensidade das secas, frequência de ondas de calor, aumento de dias com temperatura acima de 35°C e redução da pluviosidade – tudo isso afetando tanto a saúde humana quanto a produtividade do agronegócio. “O Brasil está principalmente em risco devido a eventos meteorológicos extremos hidrometeorológicos, como inundações e secas, embora os incêndios florestais também estejam em ascensão desde 2020”, afirma a Transparência Climática.

“Entre 2015-2020, o Brasil perdeu cerca de 830 kha da área de floresta amazônica por ano, com um aumento de 44% nas taxas de desmatamento desde 2018”, afirma o pesquisador William Wills, professor do Centro Clima da Coppe-UFRJ e coordenador do capítulo brasileiro do relatório. “A preservação da Amazônia é fundamental para servir de sumidouro natural e para melhorar a capacidade de adaptação diante da variabilidade climática”, explica.

O relatório Climate Transparency mostra que, além do desmatamento, outras fontes também estão em ascensão. As emissões de gases do efeito estufa do Brasil, excluindo a mudanças no uso do solo, aumentaram 79% (1990-2018), e a meta climática do governo de reduzir as emissões em 43% (abaixo dos níveis de 2005) até 2030 e de atingir a neutralidade climática não está em linha com um caminho de 1,5°C.

Em geral, o relatório mostra que após um curto período de declínio, devido à pandemia, as emissões de gases de efeito estufa (GHG) estão se recuperando em todo o G20, com a Argentina, China, Índia e Indonésia projetadas para exceder seus níveis de emissões de 2019. Em 2020, as emissões de CO2 relacionadas à energia caíram 6% em todo o G20. Em 2021, entretanto, projeta-se que elas se recuperem em 4%.

O documento também observa alguns desenvolvimentos positivos, como o crescimento da energia solar e eólica entre os membros do G20, com novos registros de capacidades instaladas em 2020. A participação das renováveis no fornecimento de energia deverá crescer de 10% em 2020 para 12% em 2021. E especificamente no que se refere à energia utilizada para produzir eletricidade e calor, as renováveis aumentaram 20% entre 2015 e 2020, e estão projetadas para se tornar quase 30% do mix de energia do G20 em 2021.

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