Agência da ONU faz alerta sobre emissões recordes de CO2 e pede atenção ao negociadores da COP26

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Faltando uma semana para o início da conferência climática de Glasgow, COP26, que começa no dia 31 de outubro, a agência de clima da ONU divulgou um novo relatório sobre as concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera. De acordo com o levantamento, em 2020, apesar da parada global devido à pandemia de Covid-19, as emissões atingiram um novo recorde.  O relatório destaca ainda que a Amazônia deixou de ser um filtro de carbono para se tornar fonte de emissões, graças ao desmatamento da região.

Segundo as informações, mesmo diante da desaceleração econômica mundial em 2020, não foi possível verificar efeito sobre os níveis atmosféricos dos gases de efeito estufa, nem em suas taxas de aumento, embora tenha ocorrido uma redução temporária das novas emissões.

Na avaliação da agência da ONU, a temperatura mundial deve seguir aumentando, pois as emissões não param e o dióxido de carbono (CO2) é um gás de vida longa.

“O nível de temperatura observado hoje persistirá por várias décadas, ainda que as emissões sejam rapidamente reduzidas até alcançar o nível de zero líquido”, destaca o documento.

Em relação à Amazônia, o texto indica que parte da região da maior floresta do mundo hoje é emissora de carbono.

“É alarmante e está vinculado ao desmatamento na região”, disse o Secretário-Geral da Organização Meteorológica Mundial (OMM), professor Petteri Taalas, ao comentar as informações.

Esses dados chegam às vésperas do começo da COP26 e, segundo o professor Taalas, devem servir como um recado científico para os negociadores para que avancem em uma agenda para reduzir emissões de gases e controlem o aumento da temperatura.

“O Boletim da OMM sobre os gases de efeito estufa envia uma mensagem científica contundente aos negociadores em matéria de mudança climática”, diz o secretário-geral da agência, que acrescentou: “Caso o ritmo atual de aumento das concentrações de gases de efeito estufa se mantenha, o aumento da temperatura no final deste século vai superar, de longe, a meta estabelecida em virtude do Acordo de Paris de limitar o aquecimento global a +1,5°C, ou a +2°C acima dos níveis pré-industriais”.

Ele destacou ainda que o uso de recursos fósseis de maneira ilimitada  pode agravar ainda mais esse quadro, levando o planeta a um aquecimento de em torno de 4°C até o final do século.

A concentração de dióxido de carbono (CO2), o mais abundante dos gases de efeito estufa, atingiu 413,2 partes por milhão (ppm), em 2020, e está em 149% dos níveis pré-industriais.

O boletim especifica que cerca de metade do CO2 emitido pelas atividades humanas permanece na atmosfera, enquanto a outra metade é absorvida pelos oceanos e ecossistemas terrestres.

Já o metano (CH4) e do óxido nitroso (N2O), as concentrações foram equivalentes a 262% e 123%, respectivamente, dos níveis de 1750, ano escolhido para representar o momento em que a atividade humana passou a alterar o equilíbrio natural da Terra.

Cerca de 40% do metano é emitido por fontes naturais (como os pântanos), enquanto os demais 60% tem origem em atividades humanas, como pecuária e cultivo de arroz.

“Devemos transformar nossos sistemas industriais, energéticos e de transporte e todo nosso estilo de vida. As mudanças necessárias são acessíveis do ponto de vista econômico, e viáveis, do ponto de vista técnico. Não há tempo a perder”, disse Taalas.

A conferência da ONU sobre mudança climática CO26 começa no próximo domingo, 31 de outubro, em Glasgow (Escócia), e vai até 12 de novembro.

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