FMI defende ação conjunta para a recuperação da economia mundial

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No próximo fim de semana, os líderes do G-20 se reunirem em Roma, e o Fundo Monetário Internacional (FMI) defende que eles tomem medidas ousadas para pôr fim à pandemia e criar espaço para uma economia mais sustentável e inclusiva. Se forem tomadas medidas como incentivo ao emprego, equilíbrio de política fiscal e monetária para combater a inflação e ampliar a vacinação a 70% da população mundial até 2022 com um plano de investimentos pode elevar o PIB mundialmente 2%.
De acordo com artigo da diretora do fundo, Kristalina Georgieva, as bases para a recuperação de maneira mais contundente seguem fortes, graças à combinação da vacinação da população e das medidas de estímulos tomadas de forma sincronizada sob a liderança do G-20.
Apesar disso, o FMI alerta para o surgimento de novas variantes do novo coronavírus e seus impactos sobre a economia, além de ver com preocupação as rupturas na cadeia de suprimentos. Diante desse cenário, o fundo revisou sua previsão de crescimento mundial, baixando para 5,9% neste ano. Segundo a entidade, as perspectivas são altamente incertas, e predominam os riscos de deterioração da conjuntura.
A inflação e os níveis de endividamento estão subindo em muitas economias, caso do Brasil, que elevou a taxa Selic pela sexta vez consecutiva, chegando a 7,75% ao ano. Soma-se a isso a desigualdade econômica entre as nações e o acesso a vacinas, pois muitos países em desenvolvimento ainda seguem sem contar com volume abundante de imunizantes e não possuem recursos para apoiar suas recuperações.
Para o G20, o FMI defende que as economias adotem medidas rápidas para conter aumentos de inflação. Entre as ações para isso, acredita que a transparência sobre planos econômicos seja fundamental para evitar especulação. O fundo defende ainda uma calibragem cuidadosa das políticas monetária e fiscal, combinada com quadros de médio prazo sólidos, pode gerar mais espaço para gastos com saúde e grupos vulneráveis. Essa calibragem pode proporcionar benefícios rápidos até 2022.
Para o fundo, tomadas as medidas, a maior parte dos ganhos adicionais vem de reformas estruturais que fortaleçam o crescimento — como políticas para o mercado de trabalho que apoiem a busca por emprego e a recapacitação, além da reforma da regulamentação do mercado de produtos para reduzir as barreiras à entrada e, assim, criar oportunidades para novas empresas. Esse pacote de políticas de curto a médio prazo poderia dar ao PIB real agregado do G-20 um impulso de cerca de US$ 4,9 trilhões até 2026.
Para atingir resultados reais diante da complexidade do cenário, o FMI pede aos países do G20 que adotem medidas conjuntas imediatas lideradas em três prioridades:
Pôr fim à pandemia, eliminando os déficits de financiamento e compartilhando as doses de vacinas. Para isso, é necessário alcançar as metas propostas pelo FMI, juntamente com o Banco Mundial, a OMC e a OMS: vacinar pelo menos 40% das pessoas em todos os países até o fim de 2021, e 70% até meados de 2022.
Ajudar os países em desenvolvimento a enfrentar as necessidades financeiras. Apesar da suspensão temporária dos pagamentos da dívida soberana por parte de alguns países, por iniciativa do G20, agora é preciso acelerar a implementação do Quadro Comum do G‑20 para a resolução da dívida.
Comprometer-se com um pacote abrangente para zerar as emissões líquidas de carbono até meados do século. Um plano de investimento abrangente com uma combinação de políticas de fornecimento verdes poderia elevar o PIB mundial em cerca de 2% nesta década e gerar 30 milhões de novos empregos. A definição de um bom preço para o carbono está no centro de qualquer pacote de políticas abrangente. Neste caso, a liderança do G-20 será crucial, sobretudo quando se trata de mobilizar apoio para um piso internacional para o preço do carbono. Para assegurar a recuperação e construir um futuro melhor para todos, devemos tomar medidas fortes e conjuntas já.

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