Estudo mostra que precificação do carbono não é suficiente para limitar o aquecimento global a 1,5°C

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O estudo Unlocking the Potential of Carbon Markets to Achieve Global Net Zero (Revelando o Potencial dos Mercados de Carbono para Zerar as Emissões Globais, em português), realizado em parceria entre o Boston Consulting Group (BCG) e a Global Financial Markets Association (GFMA) destacou que cerca de 80% das emissões de gases de efeito estufa ainda não são cobertas por preços regulamentados de carbono. Análise aponta os principais dados e recomendações para dimensionar os mercados de carbono, visando melhorar a eficácia dos preços globais e regionais, além de acelerar significativamente a redução das emissões de GEE

Para cumprir as metas do Acordo de Paris, os níveis de preços precisam alcançar uma média estimada entre US$ 50 e US$ 150 por tonelada até 2030 – a média global atual gira em torno de US$ 5 por tonelada. O estudo destaca a importância de ações de compliance e dos mercados voluntários de carbono para uma transição bem-sucedida para um cenário de baixas emissões.

De acordo com Steve Ashley, presidente da GFMA, “a precificação efetiva do carbono na economia é uma das ferramentas mais fortes para a geração dos resultados que almejamos, tratando as emissões de GEE como um recurso limitado no tempo. Os mercados de carbono voluntário e de compliance podem desempenhar um papel significativo e complementar. Uma ação rápida é necessária entre os formuladores de políticas, reguladores, bancos e participantes do mercado de capitais para garantir os incentivos corretos para a tomada de decisões econômicas”.

“As emissões de gases de efeito estufa aumentaram 50% nos últimos 30 anos. Neste período, a temperatura da Terra aumentou cerca de 1°C, devendo chegar a 1,5°C nas próximas décadas”, explica Kenneth E. Bentsen Jr, CEO da GFMA e presidente e CEO da SIFMA. “É necessário realizar um rápido dimensionamento dos mercados de carbono para mobilizar um investimento estimado entre US$ 100 a US$ 150 trilhões em diferentes setores e regiões e frear o aumento nas temperaturas”.

Roy Choudhury, diretor-executivo e sócio do BCG, afirma que ainda há esperança. “Com um orçamento de carbono total de 300 a 500 gigatoneladas restantes, é possível que haja um rápido declínio nas emissões ao longo das próximas três décadas. Mas precisamos agir rápido e investir na expansão dos mercados de carbono, tanto na cobertura geográfica e setorial, quanto na taxa de descarbonização”.

O levantamento identifica os principais dados e recomendações para formuladores de políticas, participantes do mercado e outros stakeholders a fim de escalonar os mercados de carbono líquido para aumentar a eficácia dos preços globais e regionais e acelerar a redução de CO2 de forma significativa.

O estudo também destaca os atuais desafios enfrentados pelos setores público e privado para que possam priorizar as ações de ampliação dos mercados de carbono no curto prazo. Entre eles estão:

  • Escalonamento e aprimoramento dos mecanismos de precificação de carbono orientados por políticas reguladas, como Sistemas de Comércio de Emissões (ETSs);
  • Definição clara de papeis nos Mercados de Carbono Voluntários;
  • Incentivo a interoperabilidade entre mercados de carbono liderada pelo setor público.

Empresas dos setores bancário e de mercado de capitais também têm papel fundamental no desenvolvimento dos mercados de carbono por meio de recursos e ofertas de produtos que ajudem os participantes em suas ações de compliance, descarbonização, gestão de risco e investimentos.

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